São Paulo terá diálogo com elenco em busca de solução para pagar salários e definir férias

São Paulo vai incluir os jogadores no debate para buscar soluções de como arcar com os compromissos financeiros em meio à paralisação do futebol por causa do novo coronavírus. Sem nenhuma decisão tomada no momento, o Tricolor vai ouvir os atletas no processo de decisão para definir a maneira de pagar os salários.

Na última quarta-feira, os clubes das Séries A e B não entraram em um acordo coletivo sobre os salários. Ficou definido que os atletas teriam 20 dias de férias em abril.

Mas o São Paulo não vê essa questão imposta de forma arbitrária, entende ter a prerrogativa de ainda não dar férias e vai conversar com os jogadores sobre se eles estão de acordo com esse período de férias coletivas de 1º a 20 de abril. Ou seja, essa não é uma questão definida no Morumbi.

Em relação aos salários, o São Paulo já caminhava no sentido de buscar uma solução individual antes mesmo de a reunião entre os clubes ser realizada.

– Acredito que já foi passado algo de que vai ter uma conversa, de que nada vai ser imposto como obrigação. Ainda estamos aguardando alguns detalhes para ter essa conversa, nós queremos, mas não adianta nada se reunir nesse momento. Estamos esperando acalmar as coisas. Tem que ser algo que possa ser benéfico pra todos os lados. Tem que esperar e ver qual a posição do clube, a proposta do clube e, como falei, estamos aptos e abertos a algo bom pra todos os lados – afirmou o goleiro Tiago Volpi, ao ser perguntado pelo GloboEsporte.com em entrevista exclusiva.

– Houve um aviso, sim, de que vão conversar com todos os jogadores para poder tomar uma decisão em conjunto que seja algo benéfico para todos. Mas ainda não teve um pontapé inicial, ate porque precisa esperar as coisas acalmar um pouco. Não adianta querer pensar em acordo salarial nesse momento tumultuado. É esperar a maré baixar para ver isso – completou Volpi.

Fernando Diniz conversa com elenco do São Paulo — Foto: Divulgação São PauloFernando Diniz conversa com elenco do São Paulo — Foto: Divulgação São Paulo

Fernando Diniz conversa com elenco do São Paulo — Foto: Divulgação São Paulo

 

O São Paulo tem uma preocupação interna financeiramente, pois as receitas diminuíram sem a realização dos jogos. A folha salarial total do elenco supera a casa dos R$ 11 milhões. Uma boa notícia foi a antecipação de parte da premiação pela participação na fase de grupos da Copa Libertadores, no valor de US$ 1,8 milhão (aproximadamente R$ 9,1 milhões).

Por outro lado, o clube teve prejuízo de R$ 47 mil no clássico com o Santos com portões fechados e não poderá contar com a renda de bilheteria. Além disso, o Barcelona ainda não pagou 1 milhão de euros (cerca de R$ 5 milhões) acertado pela opção de compra de Gustavo Maia, jogador da base.

– Os jogadores estão todos preocupados, porque a gente sabe como começou a pandemia, mas não sabe o fim, qual vai ser o pico de disseminação da doença e tem todas essas questões que estão sendo ventiladas pela imprensa que estou acompanhando. Mas o São Paulo está tendo uma postura muito positiva de buscar a solução conjuntamente, porque hoje o São Paulo trabalha ainda mais nessa direção, de fazer uma coisa que contemple todas as pessoas envolvidas no contexto geral do clube. E tendo como principais atores os jogadores e os torcedores – disse Fernando Diniz, em entrevista exclusiva ao “Troca de Passes”, do SporTV.

– Temos que fazer de tudo para que o jogador se sintam seguros e acho que o São Paulo está caminhando com a sua diretoria para essa direção, de trocar ideias. A gente, a diretoria não tem receios de trocar ideia, com suas lideranças, para eles participarem do processo decisório de maneira coerente. O jogador de futebol tem que ter mais voz e uma voz consciente porque de fato ele é, junto com o torcedor, o protagonista do espetáculo que é o futebol, que a gente, como vocês da imprensa, acaba participando. Ele tem que ser ouvido e aqui no São Paulo é ouvido – completou o treinador.

Fernando Diniz comenta trabalho realizado no São Paulo em

No início de fevereiro, o São Paulo recebeu cerca de R$ 38,5 milhões pela venda de 20% de David Neres ao Ajax em operação casada com a negociação de Antony, mas mesmo assim ainda segue com um déficit milionário. Na última reunião do Conselho de Administração, o clube apresentou em seu balanço R$ 156 milhões de déficit.

Há um receio de que algumas empresas parem de pagar mensalidades por também não estarem gerando receitas, o que dificultaria ainda mais o fluxo de caixa. Dos 13 patrocinadores que o São Paulo tem até este momento, apenas um sinalizou que pode deixar de pagar. O clube tenta contornar a situação.

Outro assunto que pode ser debatido com os jogadores é em relação ao direito de imagem. O pagamento é feito no dia 10 de cada mês, mas, como o São Paulo não está explorando essa imagem integramente devido à paralisação do futebol, pode haver uma discussão sobre como pagar esse valor a cada atleta.

Globo Esporte

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