Zagueiro foi vendido pelo São Paulo sem jogar e já sonha alto na Europa

Em setembro de 2019, o São Paulo acertou a venda de Morato para o Benfica por 6 milhões de euros (R$ 27,4 milhões nos valores da época). A transação surpreendeu muita gente, afinal o zagueiro não havia sequer estreado pela equipe principal do Tricolor. E o próprio jogador teve pouco controle sobre a situação.

“Eu e meu pai tivemos mínima participação. A gente sabia da dependência do São Paulo pelo dinheiro, então foi uma conversa entre os clubes”, contou Morato ao UOL Esporte. O garoto de 18 anos agora sonha alto na Europa e não mostra qualquer remorso com o clube que o criou. Pelo contrário. Mesmo de longe, não deixa de acompanhar os ex-colegas e dá até dicas para o Tricolor tentar se estabilizar após anos de crise e sem títulos.

“O São Paulo precisa de um trabalho a longo prazo. Eu, por exemplo, subi e não joguei por ser muito jovem, em um momento ruim, o que é normal. Mas logo trocaram de técnico e isso vai quebrando a sequência da garotada. E todo mundo sabe que os garotos do São Paulo são bons. Outros virão, ainda tem muito mais em Cotia”, opinou, antes de indicar a próxima revelação a estourar: Rodrigo Nestor.

Morato e Nestor estiveram juntos na conquista da Copa São Paulo do ano passado, a quarta da história do clube do Morumbi. A dupla esteve entre os destaques do time liderado por Antony e gerava grande expectativa para o futuro do São Paulo. Morato saiu sem jogar, enquanto Nestor ganhou mais um ano de Copinha para tentar amadurecer mais. A tendência é que ele seja promovido ao elenco profissional ainda no Campeonato Paulista.

Enquanto isso, em Portugal, Morato tem cada vez mais prestígio. O desempenho pelas equipes de base do Benfica impressionou e o zagueiro já estampou capas de jornais que apostam nele como um fenômeno. A comissão técnica comandada por Bruno Lage quer promovê-lo de vez em 2020 e anima Morato, que estreou pelo time profissional em 21 de dezembro no empate por 2 a 2 com o Vitória de Setúbal pela Taça da Liga.

“Meu objetivo é subir e jogar o mais rápido possível. Eu saí cedo do Brasil, mas isso não foi um problema. Vim para Portugal para terminar minha formação e tudo tem sido muito bom. As pessoas me receberam bem, o idioma obviamente ajuda e já estou me acostumando à dinâmica do jogo”, destacou.

O zagueiro admite que custou para se adaptar a um ritmo mais intenso em treinos e partidas e principalmente com o posicionamento mais avançado da linha defensiva do Benfica. Aos poucos, porém, diz ter assimilado as mudanças, graças ao que aprendeu em Cotia. Para ele, os métodos do futebol brasileiro já não estão mais tão defasados em relação aos europeus. A diferença está na forma como se trabalha: “O trabalho parece ser levado mais a sério. Quando decidem algo, eles fazem, independentemente do tempo que leve para acontecer”.

Ao sair tão cedo do Brasil, Morato contou com a ajuda do pai para não ficar isolado em Portugal. Os dois aproveitam o tempo livre para conhecer pontos turísticos de Lisboa, como a Praça do Comércio. Outro hobby da dupla é assistir vídeos de culinária e tentar reproduzir os pratos. “Ele vê as coisas no YouTube e inventa aqui. Já fez um arroz com linguiça e queijo que ficou bom. Está ficando um Masterchef”, brincou.

UOL

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