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Perto do jogo 200, Reinaldo se vê entre os tops e quer ‘foto na parede’

Lateral-esquerdo do São Paulo diz que se considera um dos melhores da posição no Brasil, sonha com chamado de Tite e lembra o melhor jogo pelo time, contra o rival deste domingo

O clássico contra o Corinthians, às 18h deste domingo, no Morumbi, será o 199º jogo de Reinaldo com a camisa do São Paulo. No clube desde 2013, com saídas por empréstimo para Ponte Preta e Chapecoense em 2016 e 2017, o lateral-esquerdo de 30 anos se vê no melhor momento da vida e da carreira. Maduro e confiante, não tem medo de dizer que se considera um dos melhores de sua posição no país.

– Desde o ano passado venho jogando em alto nível no São Paulo, então tenho certeza que estou entre os melhores da posição. Isso vem graças à minha humildade de estar sempre trabalhando firme e forte. Se estou jogando em alto nível em um clube grande como o São Paulo é porque sou um dos melhores da posição mesmo – disse o jogador.

No bate-papo com o LANCE! no CT da Barra Funda, o jogador ainda admitiu que sonha com um chamado de Tite, contou como lidou com a recusa da diretoria a uma proposta do Al-Ahli, da Arábia Saudita, lembrou que a melhor partida de sua já extensa trajetória pelo Tricolor foi contra o Corinthians e se mostrou animado com o trabalho de Fernando Diniz. Só demonstrou incômodo ao recordar que, nesses anos todos de clube, ainda não conseguiu levantar uma taça.

– Estou aqui desde 2013 e ainda não ganhei um título em um time gigante como o São Paulo. Isso pesa muito. Quero deixar um quadro com a minha foto ao lado dos meus companheiros na parede do CT, para quando eu voltar aqui no futuro poder lembrar que conquistei. Para ser lembrado no clube, sei que é preciso ganhar títulos, e esse é meu objetivo desde que cheguei. Infelizmente não consegui ainda, mas vou lutar até o fim do meu contrato para sair daqui com título, deixando meu nome marcado na história do São Paulo. Esse é meu sonho e eu tenho certeza que está próximo de se realizar.

Veja a entrevista completa com Reinaldo:

LANCE!: O São Paulo recusou recentemente uma proposta do Al-Ahli por você. Como você lidou com isso? Seu desejo era permanecer?
Eu fiquei muito tranquilo, deixei tudo na mão do meu empresário e com o São Paulo. O São Paulo sabia do meu desejo. Se fosse bom para mim e para o São Paulo, eu sairia. Era bom para mim, mas não era bom para o São Paulo. Sou muito grato ao São Paulo pelos anos que estou aqui, pela experiência, pela moral que o clube me dá desde que cheguei aqui. Não foi bom para o São Paulo, então eu não estava de acordo. Tenho que respeitar o São Paulo, respeitei o valor que eles queriam. O São Paulo me deu uma grande moral por não me liberar por qualquer valor, isso me valorizou muito e só tenho que agradecer aos diretores, ao presidente Leco, que vêm me dando confiança desde que voltei da Chape. Sou grato a esse clube, que me acolheu e até hoje está me dando suporte. Desde que cheguei tenho o desejo de fazer história pelo clube.

Você está perto de completar 200 jogos pelo clube. Mudou muita coisa desde a sua estreia até agora, não é?

Mudou muita coisa, amadureci muito tanto dentro de campo quanto fora. Quando estreei no São Paulo eu era apenas um moleque que não tinha filho, não tinha esposa e era muito sozinho aqui em São Paulo. Depois fui conhecendo as coisas aqui, conheci minha esposa, tivemos um filho abençoado, o Davi… Fora de campo está uma maravilha, e dentro de campo também. Amadureci muito, aprendi muito com os grandes jogadores que passaram aqui. Joguei com Rogério, Luis Fabiano, Ganso, Michel Bastos, vários craques do futebol brasileiro, e foi muito importante poder observá-los no dia a dia, nos jogos. Aprendi com eles. Minha carreira aqui teve altos e baixos no começo, mas depois só foi crescendo e hoje estou colhendo os frutos de um bom trabalho, do amadurecimento que eu tive, do aprendizado que tive com grandes jogadores.

Você disse que se considera um dos melhores da sua posição no país. Quem são os outros laterais que você vê em um patamar elevado?

Tem o Filipe Luís, que voltou muito bem da Europa no Flamengo. Tem o Jorge, do Santos, que já foi para a Seleção. Esses dois vêm jogando muito bem e creio que estou páreo a páreo, jogando no mesmo nível com eles, e a tendência é só melhorar, manter esse alto nível sempre.

Acha que dá para sonhar com Seleção Brasileira?

É um sonho. Venho sonhando desde quando voltei da Chape para o São Paulo e mantive um nível muito bom no meu futebol. Sonhei ano passando, sonho esse ano, mas tudo tem seu tempo e sua hora. Entrego tudo na mão de Deus, que sabe o caminho certo, sabe a hora de ir ou não. Se não fui ainda, é porque algum plano Deus tem para mim. Na melhor hora, Ele vai me honrar e creio que o Tite vai estar me chamando.

O tempo de clube te transformou em uma referência do elenco. O Juanfran, recentemente, citou seu nome como um dos pilares desse grupo. Como recebe as palavras dele?

Até agradeço a ele pelas palavras. Aqui dentro do clube, no dia a dia, eu tento ser um Reinaldo que conversa bastante, que dá risada junto com eles, que brinca, que na hora de falar sério também fala. Ver o Juanfran falando assim de mim é muito bom, é um jogador multi-campeão na Europa que também está ajudando muito no dia a dia com a experiência dele, com a orientação tática que ele tem. Só tenho que agradecer.

Em que momento você percebeu que estava virando um líder dentro do clube? Hoje é comum vê-lo com a braçadeira de capitão.

Veio naturalmente, com o que faço no dia a dia, nos treinos, nos jogos. A gente tem vários líderes aqui. Tem o Profeta, o Hudson, o Dani, o Juan… Eu sou mais um que quer ajudar o São Paulo. Quando estou de capitão, naturalmente tenho que assumir a responsabilidade. Dar o melhor dentro de campo, fazer o que um capitão faz. Eu nunca mudei, sempre falo para todos aqui que desde que cheguei sou o mesmo, apenas amadureci um pouco. Um pouco, não. Muito. A maturidade fala mais alto, você vai passando os anos dentro do clube, vai conhecendo o clube, vai sabendo o que o clube quer, a gente vai explicando como as coisas funcionam para quem chega. A liderança vem disso, e eu gosto de passar a responsabilidade para cada um do nosso elenco, para todo mundo ter a sua liderança.

A vitória por 3 a 1 sobre o Corinthians, em 2018, quando você marcou dois gols, foi sua melhor partida aqui?

Com certeza. Um clássico do tamanho de São Paulo x Corinthians, marcar dois gols… Isso fica na minha história. Agora é trabalhar para ir bem mais uma vez. Não precisa sair um gol, dois gols, mas o jogo é na nossa casa e precisamos dos três pontos. Foi o meu melhor jogo aqui no São Paulo e o torcedor sempre lembra daquele dia, foi um resultado que ficou guardado. Espero que esse jogo venha nos coroar de novo com uma vitória para o nosso torcedor sair feliz.

Já deu para notar diferenças no trabalho do Diniz em relação ao período anterior a ele?

O Diniz pede muito para a gente ficar à vontade no jogo, dá liberdade para ir por dentro, por fora. Se acontecer de perder a bola, recompor o mais rápido possível para não ser surpreendido no contra-ataque. Ele vem dando muita liberdade, não só para mim, mas para todo o grupo, dando muita confiança. Ele pede bastante para a gente que vem de trás chutar no gol. Eu venho fazendo meu trabalho para me adaptar o mais rápido possível ao esquema de jogo dele. Dá para a ver que a nossa equipe está se adaptando a ficar sempre com a bola, a descansar com a bola, e quando perder recuperar o mais rápido possível para não deixar a equipe adversária respirar. É um treinador que deixa a gente bem à vontade dentro de campo.

Você tem jogado praticamente todas as partidas, só ficou fora de uma no Brasileirão. Qual é o segredo para estar sempre disponível?

O segredo é estar sempre descansando ao máximo, se alimentando bem. Quando estou com algum incômodo em qualquer lugar eu sempre falo com o Doutor Sanchez, com o Sassaki, com todos da fisioterapia… Mando eles darem uma olhada. Esse feeling do jogador e do DM é muito importante, procuro estar sempre conversando, eles que sabem se é grave, se dá para ir para o jogo ou não. Jogador de alto nível sempre tem uma dorzinha ali ou aqui, e eu sou assim. Mas se a dor estiver incomodando pouco eu vou para o jogo. Se incomodar muito, procuro descansar, fazer a recuperação muito bem feita, para não ser surpreendido no jogo. Tem que estar sempre em alta intensidade, então no dia a dia eu procuro sempre fazer trabalho extra, seja de recuperação ou fortalecimento, para não ter alguma lesão. Procuro estar me cuidando fora de campo, a alimentação e a hidratação têm que ser perfeitas para os músculos responderem bem nos treinamentos e principalmente nos jogos.

Para finalizar: por que o título ainda não saiu?
É difícil explicar. Nos anos que estou aqui, a mentalidade do elenco sempre foi a de ser campeão. Infelizmente não conseguimos, esse ano mesmo nós batemos na trave no Paulista, ano passando a gente liderou bastante tempo o Brasileiro… É coisa de detalhe. Uma hora a gente vai encaixar. Vamos trabalhar firme para a sorte vir para o nosso lado. É difícil dizer o que está faltando. Nós entramos em campo buscando o melhor, querendo dar títulos para o São Paulo.

Lance

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