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Relação de Cuca e Ceni tem jogo épico, discussão e ‘espionagem’

Cuca comandou Rogério Ceni no São Paulo, em 2004, quando teve um atrito com ele durante um treino. Em 2017, acredita que teve uma de suas atividades observada pelo ex-goleiro

O jogo entre Fortaleza e São Paulo, às 19h deste domingo, no Castelão, não marcará apenas o encontro de Rogério Ceni com o clube que defendeu durante 25 anos como jogador e mais sete meses como treinador. O atual comandante do Fortaleza também vai rever Cuca, hoje técnico do Tricolor Paulista, com quem protagoniza algumas histórias desde 2004.

Ainda novato, Cuca foi técnico do São Paulo naquela temporada e encontrou um Rogério Ceni já consolidado como titular e com grande participação nos bastidores. Eles viveram momentos bons, como a épica virada sobre o Rosario Central (ARG) nas oitavas de final da Libertadores, quando Ceni defendeu duas cobranças na disputa de pênaltis, e ruins, como a discussão que tiveram em um rachão no Morumbi.

Ceni se desentendeu com Omar Feitosa, preparador físico da comissão técnica de Cuca, e o treinador deu razão a seu colega. Cuca já deu diversas entrevistas dizendo que não guarda mágoas por esse episódio e que, inclusive, aprendeu com ele. Quando o mesmo Omar Feitosa discutiu com Felipe Melo em um treino do Palmeiras, em 2017, o treinador não tomou partido e orientou a diretoria a multar os dois.

– O Rogério sempre foi um jogador interessado na parte tática, muito correto em todos os quesitos. Ele pegava muito no pé de alguns jogadores que deixavam um pouquinho a desejar nesse lado. Era um time que estava se reformulando, os recém-chegados foram bem acolhidos por ele. Foi um ano bom. Infelizmente não houve uma colheita imediata em 2004, mas depois vieram grandes conquistas em cima daquela montagem, e com outras ideias que vieram, com o Autuori e o próprio Muricy – relembrou Cuca, que levou o São Paulo até a semifinal da Libertadores, mas saiu em setembro.

Em 2013, quando dirigia o Atlético-MG, Cuca foi um dos responsáveis por frustrar a penúltima campanha de Ceni na Libertadores – campeão como reserva em 1993 e como titular em 2005, o goleiro nutria a obsessão de erguer esta taça mais uma vez antes de parar. Na primeira fase, o Galo ganhou no Horto por 2 a 1 no jogo em que Ronaldinho Gaúcho ludibriou Rogério ao pedir um gole d’água. No Morumbi, o camisa 01 do Tricolor marcou um dos gols da vitória por 2 a 0 que classificou a equipe para duelar contra o próprio Galo nas oitavas. Aí, foram duas vitórias mineiras: 2 a 1 no Morumbi e 4 a 1 em Minas.

– Eu guardo uma camisa do Rogério, ele me deu em um confronto que a gente teve, acho que eu estava no Galo. Recebi uma camisa dele e guardo, assim como o Volpi guarda uma. Lógico que tem de ter uma comemoração, afinal ele foi um jogador que serviu por 25 anos ao mesmo clube. Ele jogou só no São Paulo. Não me lembro de cabeça quantos jogadores do Brasil tiveram essa façanha. Nada mais justo e merecido que ele receba todas as homenagens da torcida do São Paulo e do Fortaleza – disse o atual técnico são-paulino.

Como treinadores, os dois se cruzaram em 2017 e Rogério Ceni levou a melhor: vitória por 2 a 0 do São Paulo sobre o Palmeiras, no Morumbi, pelo Brasileirão. Na época, Cuca disse suspeitar de que o adversário tenha espionado seus treinamentos, já que ele utilizou três zagueiros sem aviso prévio e matou a estratégia alviverde. Ceni minimizou a história.

No domingo, os dois certamente vão se cumprimentar antes de a bola rolar. Cuca só não sabe como o Mito vai reagir caso o Fortaleza marque um gol no São Paulo.

– Eu não sei, vai muito de cada um. Sempre respeitei os clubes em que joguei, mas jamais deixaria de comemorar um gol. Uma vez falei com o Lima que isso dá azar. Ele era do Athletico, estava no Botafogo e fez três gols. Não comemorou, e depois não fez mais nenhum (risos). Dá um azar, rapaz… É tão difícil fazer um gol… Acho que o jogador tem que comemorar, sim, mesmo que de forma mais tranquila.

 

Fonte: Lance

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