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Hernanes no São Paulo: saiba bastidores da operação para contratar o ídolo

Pedida inicial reduzida por mais da metade, viagens secretas e obstáculo por fuso de dez horas marcam negociação para repatriar Profeta ao Morumbi

A volta de Hernanes ao São Paulo foi oficializada no último sábado. Mas a operação para repatriar o Profeta envolveu viagens secretas, conversas madrugada adentro por conta do fuso horário de dez horas à frente da China e uma longa negociação com o Hebei Fortune.

A pedida inicial do clube de 8 milhões de euros (cerca de R$ 35,5 milhões), valor investido pelo Hebei Fortune para tirar Hernanes da Juventus, acabou sendo reduzida por mais da metade. A transferência foi fechada por 3 milhões de euros (R$ 13,2 milhões).

O Tricolor venceu a concorrência de clubes do Brasil e da Itália. Hernanes agradeceu o interesse, mas recusou pela vontade de voltar ao Morumbi.

Pelo lado do São Paulo as conversas foram conduzidas principalmente pelo gerente executivo de futebol Alexandre Pássaro, com atualizações frequentes ao diretor Raí e ao presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. O empresário e também intermediário Joseph Lee cuidou do lado de Hernanes.

Monitoramento constante e contato em outubro
São Paulo e Hernanes nunca deixaram de se falar desde o retorno do jogador para a China, em janeiro. A relação foi construída com a atual diretoria no início de 2017, quando Rogério Ceni era o técnico do time.

Gols, escalação, lesões na China: tudo era monitorado pelo São Paulo, de olho nos passos de Hernanes e em contato constante para manter a chama acesa. O clube sabia do término do contrato em dezembro de 2019 e trabalhava em cima disso.

No meio do ano, após a saída de Manuel Pellegrini do Hebei, o Tricolor sondou a possibilidade de repatriar o Profeta. Mas a porta foi fechada pelos chineses.

No Hebei, Hernanes julgava treinar menos do que o necessário com o então novo técnico Chris Coleman e por isso levou um preparador físico para morar com ele. O meia queria se fortalecer fisicamente para render mais e melhor.

Em outubro, em uma mensagem por meio de um aplicativo de celular, Hernanes deu sinal verde para o clube iniciar o projeto pela volta ao Morumbi.

Obstáculos no caminho
Depois de duas lesões musculares, Hernanes cresceu de rendimento sob os cuidados do preparador físico pessoal. O meia voltou a fazer gols, o que por um lado poderia dificultar a liberação e era motivo de brincadeira nas conversas.

Hernanes dizia ao São Paulo estar entendendo melhor o próprio corpo, estudado minunciosamente pelo Profeta para saber quanta força precisava colocar em cada movimento.

Isso porque desde o começo o meio-campista deixou claro ao Tricolor que não queria retornar por um favor ou reconhecimento, mas sim para contribuir.

Ao longo do segundo semestre, no entanto, houve mudanças na diretoria do Hebei Fortune. Profissionais do departamento jurídico e um CEO (“Chief Executive Officer”), responsável por definir diretrizes do clube, foram substituídos. Isso tornou a negociação mais lenta.

Além disso, a regra para estrangeiros também foi modificada na China. Antes cada elenco poderia ter quatro jogadores e relacionar três para as partidas, mas o número passou para cinco no total e quatro por jogo. Esses argumentos foram usados pelos chineses para endurecer as conversas.

Viagens decisivas
Após o fim do campeonato chinês, em novembro, e depois de inúmeros contatos entre Alexandre Pássaro e Joseph Lee, o gerente executivo do São Paulo viajou para se encontrar com Hernanes em Miami. O Profeta saiu da Itália, onde curtia férias com a família.

Durante três horas no primeiro dos encontros em Miami Pássaro apresentou o projeto do São Paulo ao atleta e os dois conversaram.

A ideia de tê-lo novamente por seis meses não seria suficiente, pois o clube pensa em Hernanes para além das quatro linhas. Em resumo, o Profeta representa a cara do São Paulo que o clube quer, por ser vencedor, líder e por dar exemplos dentro e fora de campo.

Na ocasião, Hernanes se emocionou e lembrou do esforço que ele fez para jogar no São Paulo no passado e como o clube agora lhe retribuia isso, como também disse em entrevista à “SPFCtv”.

Depois desse encontro, São Paulo e Hebei chegaram a alinhar valores, mas os chineses respondiam verbalmente e não definiam um acerto pela rescisão contratual de Hernanes, pois ele tinha mais um ano de vínculo.

Mesmo com o contrato do São Paulo em mãos os chineses não assinavam o acordo e a negociação estacionou, ainda que pudesse ser definida a qualquer momento.

No início da segunda quinzena de dezembro, Pássaro e Hernanes combinaram de se encontrar em Fernando de Noronha, onde o meia curtia a parte final das férias.

Depois de viajar por toda a noite e 12 horas após a conversa por mensagens no celular, o dirigente, acompanhado do diretor de comunicação Guilherme Palenzuela e do cinegrafista da “SPFCtv” Angelo Martins estavam ao lado do jogador.

Além de produzir conteúdo para o anúncio da contratação e mostrar mais do projeto do São Paulo sob outras perspectivas, a viagem para Noronha também foi uma forma de apressar o andamento do negócio. O fato de Hernanes colocar a camisa do São Paulo e se sentir jogador do clube ajudou a desenvolver a parte final do acordo.

Dali em diante, Hernanes havia dado sua palavra ao São Paulo de que o acordo estava fechado, independentemente de o contrato estar ou não assinado.

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Guilherme Palenzuela

@gpalenzuela

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A cautela do São Paulo, no entanto, se dava porque os chineses não queriam nenhum vazamento, sob risco de melar a negociação.

Paralelamente às conversas com Hernanes, o São Paulo negociava a contratação de Pablo. O Tricolor barganhava para pagar menos do que os iniciais 8 milhões de euros pedidos pelos chineses por Hernanes, mas acabou fechando o acordo pelo atacante do Athletico por 6 milhões de euros (R$ 26,6 milhões).

Apesar da restrição de informações na China, um dos diretores do Hebei Fortune soube da contratação de Pablo e questionou o argumento da falta de dinheiro do tricolor. Àquela altura, no entanto, os clubes tinham acertado os valores da transferência, mas faltava definir o acordo pela rescisão de Hernanes com o Hebei. Esta última etapa foi vencida na última madrugada, quando, após todos os contratos estarem assinados, o São Paulo, enfim, pôde anunciar Hernanes.

Aposentadoria no São Paulo?
Hernanes tem 33 anos e assinou até 2021. Se cumprir o contrato até o fim o Profeta terá 36 anos, mas ele não pensa em aposentadoria neste momento.

Durante a negociação para retornar ao Morumbi o São Paulo chegou a mencionar planos para eventuais funções após a carreira do jogador, mas Hernanes considera ter muita lenha para queimar. Ou seja, essa conversa só será retomada no futuro.

 

Fonte: Globo Esporte

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