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Reatividade vira palavra da moda no futebol brasileiro

São Paulo e Corinthians tem adotado este esquema com certa frequência

No futebol a reatividade consiste no aproveitamento dos espaços cedidos pelos adversários, com marcação sendo efetuada mesmo sem a posse de bola e utilização da velocidade para a criação de contra-ataques. E, nesta temporada dentre outros, São Paulo, líder do Campeonato Brasileiro e o Corinthians são os dois clubes que estão utilizando, com certa frequência, essa estratégia como mola mestra de seu esquema de jogo.


Geralmente equipes reativas procuram ceder a bola para o adversário e fazer uso de contra-ataques para agredi-lo, na tentativa de se impor técnica e taticamente. Quando os oponentes jogam e deixam jogar, na maioria das vezes essa estratégia funciona melhor e a superioridade numérica aparece no placar.

Mas, quando o adversário vem com proposta conservadora, de se manter fechado, é notória a dificuldade de manter essa tática para obter resultados positivos. Sem espaços, as equipes reativas têm mais dificuldades para serem objetivas e letais, como o fazem quando o adversário tem a iniciativa de sair para jogar. E aí se veem obrigadas a alterar o esquema tático para conseguir o domínio das ações do jogo.

Essa alternância de padrões táticos é que causa certo desconforto às equipes reativas, que se não estiverem bem formatadas, poderão ser surpreendidas por times tecnicamente inferiores. Por isso, tirar os espaços do meio campo através de forte marcação parece ser o antídoto usado por times de menor expressão contra equipes reativas, pois as obrigam a mudarem suas características primárias.

Nesta última rodada, os confrontos de São Paulo e Corinthians mostraram este cenário. Seus adversários, Ceará e Paraná respectivamente, estão nas últimas posições da tabela de classificação e optaram por estratégias conservadoras. Os times paulistas saíram vitoriosos em seus confrontos com o placar magro de 1 a 0, mas não conseguiram usar a reatividade a seu favor, pois seus adversários congestionaram o meio campo e apostaram na chamada única bola para tentar surpreender os times mandantes.

Corinthians e Paraná fizeram jogo tecnicamente sofrível, no qual nenhuma das equipes conseguiu a superioridade. O Paraná congestionou o meio campo e prejudicou a criatividade corintiana, que já não é ponto forte desta equipe. O Timão até conseguiu ter mais posse de bola, mas ficou “encaixotado” na marcação adversária, utilizando pouco sua reatividade.

Com arbitragem confusa e alto índice de “bola parada” o jogo ficou truncado, contribuindo para tornar a partida desinteressante e de baixo nível técnico. O gol do Corinthians veio de uma cobrança de escanteio e ajudou a aliviar a pressão sobre o trabalho de Osmar Loss, que já começava a ser questionado, devido à sequência negativa de resultados do Timão nos últimos jogos.

Já, o São Paulo, apesar de possuir maior movimentação de meio campo, também não conseguiu encontrar os espaços para se impor sobre o Ceará. E, mesmo com a disparidade técnica abissal entre os dois times, o Ceará quase conseguiu ter sucesso na estratégia proposta pelo técnico Lisca, pois a impressão que ficou foi de que a equipe mandante, apesar de bem treinada por Diego Aguirre, não sabia como aproveitar a posse de bola que possuía e acabou tornando alguns momentos da partida infrutíferos.


Apesar de parecer tecnicamente simples, a reatividade é um trunfo das equipes que conseguem usa-la com maestria. Ela exige que a equipe esteja bem posicionada para efetuar a marcação mesmo sem a posse de bola, mas, também é necessário estar equilibrada para conseguir alternar o esquema tático inicial.

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