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O São Paulo na Copa do Mundo de 1954

Em 1954, a Copa realizada na Suíça levou novamente grandes defensores do Tricolor: Bauer, na segunda participação dele, Alfredo Ramos e Mauro, o zagueiro que oito anos depois ergueria a Taça Jules Rimet na conquista do bicampeonato mundial da Seleção Brasileira. Maurinho, ponta, também representou o Tricolor naquela edição.


O CENÁRIO

A primeira Copa do Mundo realizada na Europa após a segunda guerra mundial não poderia encontrar melhor lugar para ser sediada que não a Suíça. Neutro e de difícil acesso, o país não tomou parte nos confrontos. Além disso, por ser pequeno em área, facilitava os gastos com transportes e viagens das seleções.

Depois do insucesso na Copa de 1950, o Brasil pela primeira vez teve que disputar uma eliminatória para chegar ao Mundial (venceu os quatro jogos contra Chile e Paraguai), mas chegou à Suíça com o moral um pouco recuperado: Havia conquistado o primeiro torneio internacional oficial dois anos antes, o Campeonato Pan-Americano, no Chile.

As equipes favoritas ao título, entretanto, eram o Uruguai, que nunca havia perdido um jogo de Copa do Mundo, e a Hungria, então campeã olímpica.

O regulamento dessa edição foi um tanto esdrúxulo: Os quatro grupos, de quatro seleções cada, tinham dois cabeças de chaves e eles não se enfrentariam. Ou seja, as seleções só realizariam dois jogos na primeira fase.

OS JOGADORES

Em 1954, a FIFA instituiu a “Lista de 40”, uma relação com 40 jogadores pré-selecionados para a Copa do Mundo. No dia 29 de abril, o técnico Zezé Moreira divulgou os convocados e entre eles estavam cinco jogadores do Tricolor: De Sordi, Mauro, Alfredo Ramos, Maurinho e Bauer, o capitão da Seleção Brasileira. Todos eles haviam sido, recentemente, campeões paulistas (1953).

Essa relação não garantia inscrição na Copa, contudo. Dos cinco são-paulinos chamados, somente De Sordi não foi registrado no Mundial. Dos que permaneceram, Mauro e Alfredo Ramos não chegaram a disputar alguma partida, ficando no banco. O zagueiro Mauro ainda era jovem e teria outras Copas pela frente. Já para Alfredo Ramos, essa havia sido a única oportunidade. O jogador ambidestro defendeu o Tricolor em 322 partidas e marcou um único gol.

Maurinho, ponta direita, somente jogou a partida das quartas de final, contra a Hungria. No Tricolor, ele conquistou também o Paulistão de 1957 e disputou, ao todo, 347 partidas, marcando 136 gols.

E Bauer, claro, como capitão que era, guiou o Brasil nos três confrontos que realizou naquela Copa do Mundo.

As camisas de cada jogador foram: Bauer, 6; Mauro, 15; Alfredo Ramos, 13; Maurinho, 17.

A CAMPANHA

No grupo 1, o Brasil começou a Copa do Mundo goleando o México por 5 a 0 (dois gols de Pinga. Baltazar, Didi e Julinho marcaram os demais), no dia 16 de junho. Três dias depois, empatou com a Iugoslávia em 1 a 1 (gol de Didi) em um jogo peculiar. Ao fim da partida, os brasileiros, um tanto alheios ao regulamento, achavam que o resultado teria eliminado o time.

Durante o jogo, a Seleção buscou a vitória desesperadamente, enquanto que os iugoslavos pediam calma aos brasileiros. Acontece que, graças ao novo regulamento, os cabeças de chaves não se enfrentariam na primeira fase. Assim, o Brasil não jogaria contra a França, e como os azuis já haviam perdido para os iugoslavos, o empate garantiria classificação às duas equipes.

Depois de lágrimas corridas à toa, o Brasil entrou em campo pelas quartas de final, no dia 27 de junho, contra a favorita Hungria. A seleção do leste europeu vinha de vitórias por 9 a 0 e 8 a 3 sobre a Coréia do Sul e Alemanha Ocidental.

Os brasileiros, posteriormente, reconheceram que o que mais dificultou a seleção naquela partida foi o terror da véspera, tamanha a pressão que a fama do time de Puskas e companhia imputava aos adversários.

A Seleção Brasileira perdeu por 4 a 2 (gols de Djalma Santos e Julinho), mesmo com o adversário jogando sem o principal jogador deles (Puskas ficou no banco). Ter sofrido os dois gols iniciais com menos de 8 minutos de jogo demonstrou que o preparo físico dos húngaros também foi fator decisivo no confronto (a Hungria já entrava em campo suada, pelo aquecimento que fazia antes das partidas – tal prática ainda era desconhecida pelos brasileiros).

A partida posteriormente ficou conhecida como “A Batalha de Berna” (cidade onde foi realizada), por uma briga ocorrida nos vestiários entre brasileiros e húngaros após Maurinho ter ido cumprimentar um adversário e ser mal interpretado.

A DELEGAÇÃO

Chefe: Dr. João Lyra Filho;
Congressistas: Dr. José Maria Castello Branco, Dr. Henrique Barbosa e Dr. Sotero Cosme;
Diretor-tesoureiro: Gastão Labharte da Silva;
Tesoureiro-funcionário: Irineu Rodrigues Chaves;
Coordenador Técnico de Futebol da CBD: Alfredo Curvello;
Técnico: Alfredo Moreira Junior (Zezé Moreira);
Médico: Dr. Newton Paes Barreto;
Massagista: Mário Américo;
Roupeiro: Aloísio Oliveira;
Cozinheiro: Laudelino Oliveira.

 

 

 

 

 

 

Fonte: saopaulofc.net

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