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Lugano espera que Cueva mude de ideia e siga no São Paulo

Diego Lugano está curtindo a Copa do Mundo como nunca antes. Depois de ter participado de duas edições (2010 e 2014) como jogador, o ex-zagueiro da seleção uruguaia veio a Rússia como convidado da Conmebol e da Fifa, para conhecer Moscou e seguir as partidas do Uruguai. Aproveita também para trabalhar como diretor de Relações Internacionais do São Paulo, nos contatos com dirigentes, ideias, experiências e também na busca por reforços. Após nove dias de competição, no entanto, Lugano confessou ao GloboEsporte.com que as prioridades mudaram por causa da realidade financeira. Ele foi incumbido por Raí e Ricardo Rocha de observar também jogadores e elencou as posições, nesta sexta-feira, em uma entrevista na Casa Conmebol, em Moscou:

– Aqui na Rússia, tento reforços, mas não posso falar nomes. Queremos, sim, um lateral, um volante por fora e um segundo atacante a mais. A situação está complicada. Tudo caro para o nosso dinheiro. De verdade, está complicado porque é outra realidade. Não adianta enganar a torcida – confessou.

A solução, porém, pode ser caseira. Depois das boas exibições da seleção peruana nas duas primeiras rodadas, embora com derrotas para a Dinamarca e para a França, ambas por 1 a 0, Lugano acredita que é importante também um esforço para convencer Cueva a ficar no clube. O meia peruano disse, antes de se apresentar à seleção de seu país, que o objetivo era deixar o triciolor paulista. Para Lugano, seria maravilhoso para o São Paulo, se Cueva mudasse de ideia. E destacou a evolução do meia na Copa do Mundo.

– Eu vi Cueva muito bem. Inclusive, com um nível físico maior do que tinha demonstrado (jogando) no São Paulo. Acho que ele jogou mais intensamente na Copa do Mundo. Infelizmente, ele errou aquele pênalti, mas errou porque teve coragem de bater. Ontem, contra a França, ele jogou muito bem. Infelizmente, acabou a Copa para o Peru, mas ele jogou bom futebol. Tomara que ele volte para o São Paulo com esta dinâmica do Mundial, que fez dele um jogador muito interessante – afirmou Lugano, que considera importante uma nova conversa com o jogador.

O agora dirigente, de 37 anos, desconhece propostas oficiais por Cueva, mas acredita que o jogador possa ser convencido a ficar no Morumbi, até em função do projeto do clube para o segundo semestre.

Torcedores do São Paulo cobram de Lugano uma maior participação no dia a dia do futebol, com mais presença no CT e nos vestiários, mas o ídiolo descarta essa opção, pelo menos, em seus primeiros anos de aposentadoria.

– Eu fui profissional por 20 anos. Você sabe que a vida de jogador é uma rotina. E difícil quando você deixa muita coisa de lado, inclusive, a família,. Hoje, estou aqui, com meus filhos, desfrutando da Copa do Mundo, como nunca tinha acontecido comigo – justificou.

Lugano detalhou que seu projeto para o clube é importante em termos de relações instucionais e reembra que o presidente Leco o queria no futebol, em janeiro de 2018.

– Imediatamente, quando me aposentei no São Paulo, o presidente Leco pediu para eu ficar. Na área de futebol. Eu falei para ele que não tinha mais paciência para continuar com a rotina, dia a dia, acompanhando treinamento. Para isso, ficaria jogando. Jogaria mais dois anos. Eu sentia a necessidade de ter um pouco mais de liberade, de começar a viver coisas que eu não tinha vivido nesse tempo como profissional. Disse que estava disposto a ficar no São Paulo. Pela experiência, pelo conhecimento do vestiário, mas não na rotina do CT. Bom, a gente achou um projeto interessante, um pouco europeu, para o futebol brasileiro.

O ex-zagueiro conta que tem participado das decisões esportivas e do futebol, não pela função que exerce, mas pelo reconhecimento do que representa pelo São Paulo. E priocura ajudar Raí e Ricardo Rocha.

– Eu tenho participação nas decisões esportivas. Estou em contato com o Raí, com o Diego Aguirre, com o Ricardo Rocha, mas a minha cabeça está um pouco mais focada na parte institucional do São Paulo. Na parte social. Em trazer de novo os estímulos para o clube. Enfim, algo que permita ter uma agenda um pouco mais livre. Por exemplo, estar hoje convivendo na Copa do Mundo, com meus filhos. Mas também fazendo contatos, trabalhando para o São Paulo, tendo uma vida menos rotineira, pelo menos, nos primeiros anos de minha aposentadoria. Do contrário, continuaria jogando. E estando no vestiário todos os dias, né? – respondeu soltando uma risada.

Lugano garantiu que o fato de estar observando jogadores na Copa da Rússia mostra o valor do trabalho que está fazendo pelo clube.

– Ouvem minha opinião, no caso de trabalho, sobre jogadores, porque respeitam a minha opinião. Não por minha função, mas porque respeitam meus pontos de vista. É diferente. Eu me sinto valorizado – afirmou.

O uruguaio desenvolve um projeto para ter um lugar no Morumbi exclusivo para ex-campeões do São Paulo.

– Um assento para irem de graça ao Morumbi com sua família até morrer. Há várias situações que estamos tentando fazer no São Paulo, o que é um progresso, para aproximar o São Paulo de sua gente e de seus campeões – acrescentou.

Outro motivo de satisfação de Lugano é o progresso na recuperação de Gonzalo Carneiro. Reforço indicado por ele, o atacante uruguaio, que fará 23 anos em setembro, assinou em 2 de abril com o São Paulo, que pagou U$ 800 mil por 50% dos direitos ao Defensor Sporting, de Montevidéu, mas ainda não estreou por causa de uma lesão no púbis.

– Gonzalo está treinando e se dedicando. Ontem, fez dois períodos intensos, muito fortes, e nada sentiu. Imaginamos que ele possa jogar na volta da Copa do Mundo, mas é preciso cuidado, porque é o tipo de lesão traiçoeira, que pode voltar, se não for bem tratada. Tomara que aguente. É muito bom jogador – contou.

Sobre a Copa do Mundo, Lugano reconheceu que o começo de Mundial para o futebol sul-americano é mais difícil do se esperava.

– Em comparação a outros, quando passaram de fase mais facilmente, está mais compolicado para os sul-americanos aqui na Rússia. Estou muito contente com Uruguai, único que ganhou dois jogos iniciais. Sabemos que podemos dar mais. Não falo de Argentina com profundidade porque não acompanho. Mas o Uruguai, pelo terceiro Mundial seguido, está entre os 16 melhores. É fruto do trabalho a médio e longo prazos, bem planejado. O professor Tabárez se manteve. O Uruguai trabalha . Tomara que cheguemos mais longe do que sdas outras vezes, diz, recordando do quarto lugar de 2010, a primeira Copa sob o comando de Tabarez desde o início do ciclio atual – analisou.

Lugano, no entanto, acredita que as surpresas não se manterção até o final.

– Todos os países querem estar no Mundial. Por adrenalina, pela pressão, há resultados surpreendentes. Depois, com jogadores de hierarquia, camisetas históricas, com nomes experientes, ao final da conta, vai se definir com as seleções de sempre – apostou.

Lugano se mostrou contrário ao árbitro de vídeo pelo que aconteceu até agora e pelas indefinições.

– Não gostaria de jogar com o árbitro de vídeo. Tem que se decidir quando é contato e quando é falta. Em câmera lenta, qualquer imagem é falta. O lance do Miranda (da seleção brasileira), contra a Suíça, se parar em camêra lenta, o árbitro marcará umas 15 faltas dentro da área. O lance de Miranda acho que não é falta. Malandramente, o suíço tocou as costas dele e subiu para fazer o gol. O conceito é o que temos de decidir. O que é contato ou quando é falta – avaliou.

Fonte: Globo Esporte

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