Vista como polêmica na América do Sul, medida que permite cinco substituições tem apoio no Brasil

A Fifa autorizou que os jogos de futebol realizados até 31 de dezembro de 2020 tenham até cinco substituições por um jogo, uma decisão que gerou polêmica na América do Sul e obteve ampla aprovação no Brasil. A implementação depende da entidade que organiza cada competição.

GloboEsporte.com procurou os 20 técnicos da Série A do Campeonato Brasileiro, torneio que ainda não tem data para começar – e que deve permitir a novidade, embora ainda não tenha oficializado a mudança.

Dezesseis deles responderam: 15 aprovaram e um se disse neutro (Jorge Sampaoli, do Atlético-MG). Os técnicos de Flamengo, Fortaleza, Bahia e São Paulo não responderam. Veja as opiniões de cada um no fim deste texto.

Fifa permite cinco substituições nas partidas realizadas em 2020 — Foto: GloboEsporte.com

Fifa permite cinco substituições nas partidas realizadas em 2020 — Foto: GloboEsporte.com

 

A aprovação entre os treinadores brasileiros de elite contrasta com o que se viu na América do Sul. O técnico do Boca Juniors, Miguel Angel Russo, detonou a mudança.

– Tira a naturalidade do jogo. A experiência que temos nesse sentido são os jogos amistosos, e isso seria parecido. Num torneio oficial, se perderia a essência do jogo – declarou o treinador ao jornal “Olé”.

Segundo o GloboEsporte.com apurou, queixas semelhantes ecoaram aqui e ali na América do Sul. A maior crítica seria de um possível benefício técnico em favor de clubes mais ricos, com elencos maiores e portanto com melhores jogadores no banco de reservas.

Nesta quarta-feira, uma reunião do Conselho da Conmebol deve resultar na criação de um comitê para discutir o assunto. O painel deve ser formado por dirigentes, técnicos, ex-jogadores e representantes da arbitragem. Só depois de uma análise desse comitê uma decisão será tomada. No Twitter, o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, se disse “surpreso” com a medida.

Alejandro Domínguez

@agdws

Nos toma por sorpresa esta medida, que no fue consultada con nuestra Confederación.@Conmebol convocará a un panel de expertos para que la analice y presente sus conclusiones al Consejo, quien decidirá sobre la conveniencia de adoptarla en los torneos de Sudamérica. https://twitter.com/fifamedia/status/1258736843048120321 

FIFA Media

@fifamedia

Five substitutes option temporarily allowed for competition organisers
➡️ https://www.fifa.com/who-we-are/news/five-substitutes-option-temporarily-allowed-for-competition-organisers 

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Alejandro Domínguez

@agdws

Recebemos com surpresa essa medida que não foi consultada com nossa Confederação.@Conmebol convocará um painel de expertos para analisar e apresentar suas conclusões ao Conselho, quem decidirá sobre a conveniência de adotar-la nos torneios da América do Sul.

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Na CBF, a tendência é de que as cinco substituições sejam adotadas. Mas a confederação vai se cercar de cuidados antes de anunciar a decisão porque a mudança atingiria competições em andamento – como a Copa do Brasil, por exemplo. O tema está sendo analisado pelas diretorias de arbitragem e de competições da CBF.

O comentarista Paulo Vinícius Coelho vê benefícios no aumento para cinco substituições, mas desde que a medida seja temporária.

– Acho bom para a emergência. Ajuda a recolocar o futebol em campo sem o preparo físico ideal, para ser mais rápido depois de todas as autorizações sanitárias. Como regra para sempre, acho que beneficia os clubes mais ricos.

Lédio Carmona, por outro lado, diz ser a favor de qualquer mudança que ajude a melhorar a qualidade das partidas.

– Por que não? Só dá aos treinadores mais opções táticas, de transformar o jogo. Traz mais imprevisibilidade para as partidas, mais interesse aos torcedores. Ajuda a parte física, a revigorar jogadores, a preservar o físico, jogadores exauridos não rendem o mesmo. Se você tem opções, tem que usar. É um artifício a mais.

Decisão da Fifa gerou polêmica na América do Sul, mas é bem aceita no Brasil — Foto: Divulgação/Fifa

Decisão da Fifa gerou polêmica na América do Sul, mas é bem aceita no Brasil — Foto: Divulgação/Fifa

 

Você é a favor da medida que permite cinco substituições por jogo? Os técnicos respondem:

Paulo Autuori (Botafogo): SIM

– Primeiro de tudo, temos que partir da premissa de que foi uma posição tomada em função da suspensão dos campeonatos, das dificuldades que as equipes têm de poder treinar em conjunto. Tem como objetivo também evitar um desgaste grande na volta, porque os jogadores não vão estar suficientemente treinados. Terão um esforço a mais, o que pode gerar lesões. Acho que foi uma medida interessante para esse momento. Em relação a “se beneficiar quem tem melhor elenco”… Quem tem melhor elenco está sempre beneficiado, em qualquer circunstância. É a necessidade de os clubes buscarem ter um grupo bem equilibrado e com qualidade, independentemente do poderio financeiro e econômico.

Odair Hellmann (Fluminense): SIM

– Vejo como positiva esta abertura para cinco trocas, pensando em manutenção de velocidade e intensidade do jogo. O calendário após a retomada será muito apertado, provavelmente. Ao treinador oportuniza a chance de ter mais variações táticas, de estratégias e de mudanças nas características de uma partida, visando sempre um bom desempenho na busca pelo resultado positivo. Sempre reforço a importância do grupo de jogadores, de todos estarem envolvidos no processo de trabalho, e agora essa novidade potencializa a questão. O grupo fará ainda mais a diferença.

Ramón Menezes (Vasco): SIM

– Não sabemos como será daqui a um ou dois anos. Mas neste momento vejo pelo lado positivo, pela demanda física dos jogadores. Quando o futebol voltar, o tempo de recuperação entre os jogos vai ser ainda mais curto. Sempre reclamamos muito da falta de tempo de recuperação dos jogadores, e agora teremos uma condição melhor de manter o nível físico dos jogos. Dando oportunidade a mais alguns jogadores, por esse lado físico, entendo que será positivo. É lógico que isso também proporcionará uma mudança de estratégia. Caberá aos treinadores fazer uma estratégia ainda maior pensando nos adversários. Isso envolverá mais estudo, dependendo do resultado do jogo.

Jesualdo Ferreira (Santos): SIM

– Dar a possibilidade aos treinadores de colocarem mais jogadores em ação ajuda na recuperação entre jogos, dá maior capacidade de rendimento aos jogadores, e dá mais ritmo aos próprios jogos, que é isso que se quer num jogo de futebol. Neste momento continuamos na expectativa em saber quando vai regressar a competição no Brasil, mas creio que as ideias que apresentei no grupo de treinadores do Paulistão terão de ser sempre no mínimo discutidas e preferencialmente observadas, a bem de todos, a bem da competição, do futebol e dos profissionais. Sim, concordo em absoluto com o aumento do número de substituições.

Felipe Conceição (Bragantino): SIM

– Acho que neste momento de pandemia, em que estamos passando por um logo período sem a prática normal da modalidade, é uma modificação que visa ajudar no retorno. No meu ponto de vista, porém, a principal medida a ser adotada, seria um tempo de preparação coerente com o tempo de inatividade, para que as equipes consigam ter um reinício adequado aos jogos, sem um risco alto de lesão.

Daniel Paulista (Sport): SIM

– Acho que essa medida pode ajudar, sim. É uma situação nova, lógico que a gente vai ter que se adaptar a ela. Porque o futebol sempre foram três substituições e estávamos plenamente adaptados a isso. E quando você abre as cinco substituições, mas somente há três momentos, você tem que pensar melhor, avaliar melhor a estratégia do que está acontecendo no jogo. Mas acho que vai ser extremamente válido até mesmo pela questão física, em termos de sequência de jogo, de preservação de alguns atletas, acho interessante para dar rodagem para outros. Acho que é uma situação que vem para beneficiar o futebol.

Guto Ferreira (Ceará): SIM

– Isso é positivo no aspecto do momento que estamos vivendo. Teremos competição que não sabemos qual perfil de calendário delas. Serão muito jogos próximos. O fato de poder usar cinco jogadores faz com que você evite desgaste grande em cima de todo o plantel. Por outro lado, vai haver mudança no jogo. Muitas vezes, o que faz a diferença na partida é esse desgaste, que acaba gerando espaços, fazendo com que a equipe que tem um pouco mais de qualidade física e técnica ache proveito nisso. Pode ser que isso faça com que os jogos se equilibrem um pouco mais no aspecto defensivo. Pode ser também que diminua a quantidade de gols. Mas isso é uma suposição. O jogo não será mais o mesmo, será mexido em sua estrutura. Vamos ter que evoluir e nos adaptar dentro dessa situação.

Eduardo Barroca (Coritiba): SIM

– Num primeiro momento, evidente que a gente entende que é positiva, porque limita a três paradas e não influencia na falta de qualidade do jogo, oportuniza o treinador a ter mais opções de troca, humaniza mais a adequação de carga de jogo, com possibilidade de ter 50% da tua equipe de jogadores de linha […] Como não temos um calendário claro, falta saber em quais circunstâncias vamos aplicar essas cinco substituições sem colocar em risco a saúde física do atleta. Espero que isso não seja um sistema de compensação por ofertar pouco tempo de uma preparação adequada diante de tudo que a gente está vivendo.

Dorival Júnior (Athletico): SIM

– Acho altamente viável, porque dá novas opções ao treinador. O treinador precisa de um campo maior para que possa trabalhar taticamente com o seu grupo. Três alterações não favorecem esse tipo de trabalho tático durante o jogo. E o único esporte, dos coletivos, que você fica muito limitado ao time que inicia a partida.

Renato Gaúcho (Grêmio): SIM

– Acho muito boa e importante essa mudança. E espero que ela fique. Muitas vezes o treinador fica amarrado na beira do campo, sem ter o que fazer, por conta do limite de mudanças. Agora já melhora bastante em todos os aspectos.

Ney Franco (Goiás): SIM

– Sempre pensei nesta possibilidade de aumentar o número de substituições e acho que cinco é o ideal. Aumenta-se a possibilidade de preservação da parte física dos atletas se houver uma sequência de jogos sem um tempo ideal de recuperação física e emocional. Além disso, dá ao treinador a possibilidade de trabalhar mais variações táticas devido aos perfis diferentes dos atletas. Outro detalhe importante atinge o lado psicológico, pois aumenta possibilidade de mais atletas que estão relacionados para o jogo terem a oportunidade de participar da partida e não ficar apenas no banco.

Eduardo Souza (Atlético-GO): SIM

– Nesse momento, as cinco mudanças ocorrem pelo fato de que o calendário deve ser achatado. O número de jogos em um período será maior. O período de treinos no retorno deve ser menor, o que aumenta a dificuldade dos atletas. Nesse sentido, as cinco substituições são válidas. Possibilita a gente ter uma qualidade melhor de jogo pelas cinco mudanças, o que representa 50% dos jogadores de linha. Isso também faz com que os elencos sejam mais qualificados. Quem tiver elenco mais homogêneo pode levar vantagem. Mas pelo fato de o futebol passar por esta transformação em 2020, é válido. Depois, com essa experiência, a gente pode analisar para outras temporadas e para o futuro.

  • Eduardo Coudet (Internacional): SIM
  • Vanderlei Luxemburgo (Palmeiras): SIM
  • Tiago Nunes (Corinthians): SIM
  • Jorge Sampaoli (Atlético-MG): NEUTRO

NÃO RESPONDERAM

Fernando Diniz (São Paulo), Rogério Ceni (Fortaleza), Jorge Jesus (Flamengo) e Roger Machado (Bahia).

*Colaboraram Emanuelle Ribeiro, Bruno Giufrida, Filipe Rodrigues, Tossiro Neto, Thaís Jorge, Fernando Araújo, Eduardo Moura, Fernando Vasconcelos, Frederico Machado e Marcelo Baltar.

Globo Esporte

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Daniel Alves, sobre volta do futebol: ‘Entretenimento é o que menos interessa neste momento’

Daniel Alves, camisa 10 São Paulo, concorda com o técnico Fernando Diniz: não é hora de pensar no retorno do futebol.

– Não tem que estar colocando data para voltar. Existe uma preocupação, existe um foco, que é conseguir encontrar solução para o grande problema. Estamos falando de saúde, de vida, não estamos falando de entretenimento. Entretenimento neste momento é o que menos interessa. Temos que ter outras prioridades – disse ele, à TV Globo.

Nesta semana, uma reunião na Federação Paulista de Futebol estabeleceu que todas as equipes do Paulistão voltarão a treinar no mesmo dia, que só será definido quando houver segurança total para a saúde dos envolvidos. Restam duas rodadas da fase de classificação e os mata-matas.

Dani Alves completou 37 anos nesta quarta-feira e comemorou em casa com a esposa, inclusive se fantasiando de macaquinho Good Crazy, personagem lançado recentemente por ele nas redes sociais.

Lance

Miranda volta? Cavani é viável? E Igor Gomes no Real Madrid? Raí e Pássaro abrem o jogo no São Paulo

Raí, diretor executivo de futebol, e Alexandre Pássaro, gerente executivo, abriram o jogo sobre o que tem rolado nos bastidores do São Paulo neste período de paralisação do futebol por conta da pandemia do novo coronavírus.

Em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com, os dirigentes do Tricolor explicaram a especulação em torno do uruguaio Cavani, do Paris Saint-Germain, e abriram as portas do São Paulo para um possível retorno de Miranda – o zagueiro está no chinês Jiangsu Suning, com o qual tem contrato até julho de 2021.

Além disso, Raí e Pássaro falaram da possibilidade de Antony, já negociado com o holandês Ajax, ficar mais tempo no São Paulo e também do interesse do espanhol Real Madrid em Igor Gomes.

Abaixo é possível escutar o bate-papo completo com Raí e Pássaro no podcast GE São Paulo, incluindo as críticas do diretor de futebol do São Paulo ao presidente Jair Bolsonaro e também o posicionamento em relação à discussão do retorno do futebol em meio à pandemia.

Leia a entrevista:

GloboEsporte.com: uma das consequências desta pandemia é a crise financeira. No caso do Daniel Alves, havia um acordo com ele para, a partir de abril, começar o pagamento de parcelas semestrais do salário, com ajuda de parceiros. Houve uma renegociação?


Raí: 
– O Daniel Alves teve papel ativo para entender o momento. Ele tem esse acordo, tem a possibilidade de o clube ter uma receita com a imagem dele. Ele também abriu mão de muita coisa, de receber, de salários dele, para colocar mais à frente, para viabilizar o negócio. Você tem um acordo geral e, dependendo das condições, que os jogadores estão entendendo, a gente vai ver caso a caso. E não é só ele, tem outros casos diferentes.

O Campeonato Holandês acabou, foi encerrado sem campeão, e o Antony iria agora no meio do ano. O Antony pode ficar mais tempo no São Paulo? Há conversas com o Ajax?


Alexandre Pássaro: 
–A gente precisa recapitular a história do Antony. Fizemos um esforço gigantesco para que a janela fechasse em janeiro, e o Antony não fosse vendido, por maior que fosse o esforço do Ajax. Fizemos questão de esperar a janela fechar para iniciar as negociações, não queríamos perdê-lo até o meio do ano. O Ajax queria o Antony em janeiro, e nós conseguimos, a duras negociações e a um custo alto, que ele ficasse conosco até junho. Neste ponto, infelizmente, a gente está perdendo dois meses que podia contar com ele dentro de campo, mas era uma coisa impensável.

– No dia 1º de julho, por contrato, o Ajax tem o direito de pedir a ida do Antony para Amsterdã. Se o Ajax entender que é mais importante para o Ajax e para o Antony que o atleta permaneça aqui por um tempo maior, por talvez o campeonato só começar em setembro, outubro, a gente não sabe, existe a chance que ele fique. Mas não é algo que a gente conta. A gente tem que respeitar o que está escrito.

– Temos conversado com o Ajax, mas eles também não têm a sinalização clara do que vai acontecer com eles. A gente vai esperar um pouquinho mais para que as coisas fiquem mais claras, que tanto a federação daqui como a de lá, elas desenhem um calendário um pouquinho mais realista, com mais certeza, para aí, com base em datas, a gente comece a negociar e falar com eles.

Vocês já pensam em um substituto para o Antony?


Pássaro: 
– Acreditamos muito no nosso elenco, nas pessoas da posição, a gente conversa muito com o Diniz desde sempre, o Antony era uma perda iminente, que a gente conseguiu segurar o máximo que a gente pode. Mas é lógico que o São Paulo vai sempre olhar o mercado, vai estar atento a oportunidades. Não sabemos o que vai acontecer nas ligas por aí, talvez apareçam oportunidades com base no que as ligas decidirem. Não temos noção. Mas não estamos olhando grandes investimentos. A gente precisa partir deste pressuposto. Não estamos olhando neste momento. Não tem lastro para pensar nisso.

Raí: – Só para complementar, são os dois motivos. A realidade econômica, não só analisando internamente, mas a realidade do mundo, e também porque a gente confia bastante no nosso elenco e comissão técnica, e no resultado que esse trabalho está tendo. A gente vê uma constante evolução, com possibilidades diferentes, são jogadores que estavam contundidos e vão voltar… Tem muita coisa interna a ser explorada e que a comissão técnica, se mostrando competente, vai explorar e otimizar o máximo possível, o que a gente tem e como tem feito até aqui.

Como vocês reagiram à especulação do Cavani no São Paulo, depois da entrevista do Lugano na Argentina e do Fernando Diniz aqui no Brasil?


Raí: 
– Primeiro de tudo, contextualizar que qualquer possibilidade repercute muito mais num momento como esse, quando não está tendo jogo. O Lugano tem proximidade por ser da mesma nacionalidade, por ser amigo, por ter convivido bastante. A colocação é a seguinte: se tiver alguma possibilidade, o que é muito difícil, de o Cavani vir para a América do Sul, a possibilidade de o Cavani conversar com o Lugano, como já deve ter conversado muitas vezes, é gigante. Mas não precisa nem ter dúvidas, nesse momento o São Paulo não pensa e não tem condições. E acredita muito no elenco.

Pássaro: –Tem que lembrar que a entrevista do Lugano foi retirada de contexto. Foi uma entrevista a uma rádio argentina, e a rádio perguntou a ele se existiria a possibilidade de o Cavani ir para o Boca Juniors. O que o Lugano disse foi: “Olha, se houver essa possibilidade de ele vir para o Boca, com certeza antes eu vou forçá-lo a ir para o São Paulo”. Ele não disse que o Cavani estava vindo, se estava negociando. Isso foi tirado de contexto.

– Quando o Fernando Diniz foi perguntado se seria possível, ele respondeu que não era uma utopia. Desde a contratação do Ronaldo existem contratações no futebol brasileiro que muita gente não acredita no início, e depois ela se viabiliza. Mas acho que a grande diferença, o que a gente tem que deixar muito claro, é que no momento não existe nada.

Lugano e Cavani em ação pela seleção do Uruguai — Foto: Getty ImagesLugano e Cavani em ação pela seleção do Uruguai — Foto: Getty Images

Lugano e Cavani em ação pela seleção do Uruguai — Foto: Getty Images

 

E qual a possibilidade de o São Paulo repatriar o Miranda, já que o contrato dele na China vence no ano que vem?


Pássaro: 
– O Miranda é um cara muito querido, completamente inserido no ambiente são-paulino. Ele tem o São Paulo e as pessoas como uma extensão da família dele, a gente pode comprovar… A gente estava na Florida Cup ano passado e ele foi nos visitar. Ele estava no Brasil um pouco antes de a gente parar, e ele foi nos visitar. É um cara que está toda hora em contato.

– Claro que tudo que o São Paulo faz, até como obrigação da instituição, é deixar as portas abertas. O que o Miranda tem hoje no São Paulo é a mesma coisa que o Lucas Moura tem e a mesma coisa que o Hernanes tinha, são as portas abertas. Não se esqueçam que aqui é a casa de vocês, que o dia que vocês quiserem voltar, se houver a possibilidade financeira, de elenco, vocês estarão muito mais que bem-vindos.

– Casos como Miranda, Lucas Moura, Hernanes, são praticamente unanimidades. Independentemente de quem seja o técnico, quem seja o analista, o presidente, são unanimidades. É o que aconteceu com o Raí em 1998. Ele tinha saído e voltou ao São Paulo porque a todo momento em sua passagem pela França você teve as portas abertas para voltar, e quando pôde voltar já voltou e, em uma semana, já ganhou um título para a gente.

Raí: – Eu, que não conhecia o Miranda, é impressionante o amor do Miranda pelo São Paulo, como ele se sente em casa, é realmente impressionante. Aproveito para falar bem dos nossos zagueiros, que têm uma qualidade gigantesca, quem não gostaria de ter Arboleda, Bruno Alves, o Anderson Martins, o Walce, entre outros zagueiros?

Miranda em conversa com os dirigentes Raí e Alexandre Pássaro — Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.netMiranda em conversa com os dirigentes Raí e Alexandre Pássaro — Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Miranda em conversa com os dirigentes Raí e Alexandre Pássaro — Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

 

Aproveitando que o Anderson Martins foi citado, vão renovar o contrato dele?
Alexandre Pássaro: 
– Não tínhamos começado nenhuma conversa, e agora não é o momento, mas é um jogador que já foi muito útil, que tem qualidade gigantesca, que vai ser útil ainda pelo São Paulo.

Jornais da Espanha noticiaram que o Real Madrid acompanha o Igor Gomes. Tem algo?


Raí: 
– Que eu saiba, não. Não sei se alguém do Real Madrid ligou para o Pássaro…

Pássaro: – Raí, é mais fácil perguntar para eles (repórteres). Às vezes eles sabem mais do que a gente… (risos)

Raí: – É verdade… O que a gente pode falar hoje é que (o Igor Gomes) é um jogador que está despertando a atenção dos clubes europeus. Mas não teve nenhum contato oficial. É uma realidade que ele está despertando interesse, já falei com amigos europeus, que comentam, mas é só isso.

Pássaro: – Não houve nenhuma aproximação oficial por parte do Real Madrid, nem de qualquer outro clube. O que a gente sabe é que o Real Madrid conhece e segue o Igor, assim como com certeza segue muitos outros jovens talentos ao redor do mundo, inclusive do nosso próprio elenco. Inclusive pela possibilidade de o Igor conseguir nos próximos seis meses, talvez, um passaporte português, o que não gastaria uma vaga de jogador estrangeiro em clube europeu. Mas não há nada encaminhado.

Cobra-se que os jogadores formados no clube deem retorno esportivo, ou seja, títulos. O Antony já não vai ser possível, tem o Igor Gomes despertando olhares. É um desafio do São Paulo equilibrar as contas e dar retorno esportivo com um grande craque feito no clube?


Raí: 
–Sem dúvida. O retorno esportivo é algo difícil de equilibrar. Por isso uma política… Hoje o São Paulo é dos clubes da Série A, um dos clubes que mais tem jogadores da base no elenco profissional. Quando pega quantidade grande de jogadores, vai ter que se desfazer pela realidade do futebol brasileiro, a gente tem que se adaptar. Mas essa política que o São Paulo tem como tradição, mas que nos últimos anos tem um número bem importante no elenco, com certeza muitos deles vão dar retorno esportivo, não todos, infelizmente.

Juanfran tem contrato até o final deste ano. O São Paulo vai renovar com ele?


Pássaro: 
– O Juanfran me ligou esses dias, ele não tinha assunto e depois de uns dois três minutos na linha eu falei para ele: “Fala Juan, o que você quer falar?” Ele falou: “Não, só estou ligando para a gente ficar uns 15 minutos juntos, porque eu estou há 30 dias só com a minha esposa e filhos falando espanhol. E eu não quero perder meu português, quero treinar com você”. Mas ele não perdeu nada do português.

– É um cara que se adaptou muito ao Brasil, no São Paulo é um cara que se identificou muito rápido, mas não podia ser diferente porque é um cara com coração maravilhoso, que se doa ao máximo pelo São Paulo, para as pessoas do São Paulo, para a instituição, para a história, e ele muito consciente que é e muito sabedor do conhecimento do futebol pela experiência que tem…

– Todos nós sabemos que o contrato dele termina no final do ano, mas que isso não é uma coisa que a gente corre risco. Com certeza o Juanfran nos ouviria, ou conversaria conosco para expor sobre querer ficar no São Paulo antes de pensar em qualquer continuidade na carreira dele. Então é uma coisa que não nos preocupa, é uma coisa que com certeza no segundo semestre nós vamos tratar com ele, com o Diniz, presidente, todo mundo. Mas ele gostou muito do Brasil. Quem sabe ele possa ficar mais tempo com a gente.

Raí: –Também falei com ele, ele mostra um carinho muito grande, entendendo a situação. Mostra um carinho muito grande pelo São Paulo, pelo Brasil e quando liguei, umas semanas atrás, falei: “Juan, acho que vai passar de dezembro, hein?!”. E ele: “Ah, é? Vai até janeiro? Vai até quando?”.

Globo Esporte

São Paulo mantém suspensão salarial do elenco e corta 25% dos salários de funcionários, feminino e basquete

O São Paulo segue tomando medidas para minimizar o impacto financeiro da paralisação dos campeonatos devido à pandemia da COVID-19. Para os pagamentos referentes a abril, que serão depositados no quinto dia útil de maio, o clube manteve a suspensão de 50% dos salários dos jogadores e o congelamento dos direitos de imagem.

Funcionários de todas as áreas do clube, incluindo atletas do futebol feminino e do basquete, terão 25% de corte nos salários e na jornada de trabalho com base em medida provisória do Governo Federal.

– Agora no mês de maio, em função da medida provisória, estamos fazendo a redução da jornada de trabalho e consequentemente do salário dos funcionários na ordem de 25%. O futebol feminino e o basquete vão entrar como os funcionários. O futebol de base, não. É separado, porque mesmo sendo base, há jogadores profissionalizados lá. Esses entram nos 50% de suspensão. Os outros garotos recebem ajuda de custo, então não têm esse desconto. Talvez eles entrem na redução dos funcionários, é uma discussão, mas é diferente, não é salário, é uma legislação específica para o futebol de base – disse o diretor financeiro do clube, Elias Albarello, ao LANCE!.

– Vale não só para funcionários, mas para diretores, presidente… Inclusive conosco. É natural, sem problema nenhum. Vale para todos. Também tem um mínimo que vamos deixar, para não ter um impacto em cima dos menores salários, embora você possa contar com o auxílio do Governo em cima da medida provisória. A gente estudou bastante qual seria a melhor proposta a se fazer. Para não penalizar, não ter nenhum tipo de demissão, como alguns clubes têm feito. Estamos tentando evitar ao máximo e felizmente ainda não ocorreu – emendou o dirigente.

Elias Albarello e Leco
Elias Albarello ao lado do presidente Leco – FOTO: Marcio Porto/Lancepress!

Os jogadores do São Paulo tiveram 30 dias de férias e retornam ao trabalho nesta segunda-feira, mas não haverá treinos coletivos no CT da Barra Funda. Eles foram orientados a treinarem em casa e serão monitorados à distância por profissionais do clube. Parte da remuneração referente às férias ficou para o fim do ano:

– Vão ser pagos 50% dos salários, neste caso das férias, agora no quinto dia útil de maio. Você tem um salário normal e um terço a mais por causa das férias. Esse um terço foi para dezembro – explicou Elias Albarello.

No início das discussões, parte do elenco se colocou contra a suspensão de 50% dos salários. Agora que praticamente todos os clubes tomaram medidas nesta linha, a maioria deles com corte salarial (e não suspensão), a diretoria acredita que o entendimento dos atletas será maior.

– Não há dúvida de que se acontecesse hoje, e essa discussão com os atletas deve continuar, eles entenderiam. Até porque estamos falando de pessoas passando fome, você tem visto filas na Caixa Econômica pelo auxílio de R$ 600. A relação do São Paulo com os atletas é muito boa. Naquele momento era tudo muito novo. Agora se mostra que foi uma boa discussão. E tudo é discutido, se nós tivéssemos receita nesse mês de maio já voltaria. Essa redução de 50% eu chamo de redução financeira, não econômica. O pagamento será feito quando voltarmos a ter receita, na proporção da receita – disse o diretor financeiro.

Segundo ele, as receitas do clube praticamente zeraram com a paralisação dos campeonatos. Por isso, foi criado um comitê de gestão da crise para encontrar as melhores soluções. Ao mesmo tempo em que renegociou valores a receber de patrocinadores, o São Paulo entrou em acordo com credores (instituições financeiras e fornecedores, por exemplo) para reduzir as despesas neste momento sem futebol.

– Se você se lembrar bem, o primeiro impacto foi o jogo contra o Santos. Tínhamos vendido quase R$ 1,5 milhão antecipados e tivemos que fazer com portões fechados.  Devolvemos esse recurso para os torcedores. Na terça-feira tínhamos o jogo contra o River Plate, que não houve, e eram quase R$ 5 milhões vendidos. A partir dali, começamos a trabalhar, criamos um comitê de gestão da crise liderado pelo presidente, com discussões ordinárias duas ou três vezes por semana – concluiu.

Lance

Raí diz que Bolsonaro tem postura “irresponsável”, sugere renúncia e teme volta precoce do futebol

Enquanto o São Paulo se prepara para dar condições aos seus atletas e funcionários quando o futebol voltar à ativa, o diretor-executivo de futebol Raí deu uma declaração pessoal muito forte em relação ao posicionamento do presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia de coronavírus. O dirigente sugere a renúncia do político.

– Um posicionamento atabalhoado, é o mínimo que se pode dizer. Naquele momento, por exemplo, que ele deu aquele depoimento em rede nacional… Ele está no limite, muitas vezes, da irresponsabilidade, quando ele vai contra todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde – disse o dirigente.

Raí reforçou que essa opinião em relação ao governo de Bolsonaro é totalmente pessoal, desvinculada do seu trabalho como diretor-executivo do São Paulo. Mas nessa entrevista ao GloboEsporte.com, o campeão do mundo com a seleção brasileira em 1994 completou:

– Outro absurdo do Bolsonaro é inventar crises políticas ou de interesses próprios, familiares, no meio de uma pandemia. É inaceitável. Tenho certeza que muita gente concorda, inclusive alguns apoiadores do Bolsonaro. Ele foi eleito democraticamente, mas a própria democracia está conseguindo frear.

O ex-meia sugere a renúncia de Bolsonaro no lugar de um processo de impeachment.

– Se perder a governabilidade, eu torço e espero uma renúncia para evitar o processo de impeachment, que sempre é traumático. Porque o foco tem que ser a pandemia. (O impeachment) não é uma coisa que tem de se pensar agora, energia nenhuma pode ser gasta nisso, mas se estiver prejudicando ainda mais essa crise gigantesca de saúde, sanitária, tem que ser considerado – opinou.

– Eu acho que isso me fez até questionar o presidencialismo. Estar sujeito a uma pessoa como essa, a um presidente como esse, que foi eleito democraticamente, mas que toma decisões que confundem completamente a população. Por causa dele, e aí o cálculo pode até ser feito, milhares de mortes a mais vão acontecer – acrescentou.

Raí, diretor executivo do São Paulo — Foto: MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDORaí, diretor executivo do São Paulo — Foto: MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO

Raí, diretor executivo do São Paulo — Foto: MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO

 

Irmão de Sócrates, ídolo do Corinthians, líder da Democracia Corinthiana e com papel importante na campanha de Diretas Já, Raí foi questionado como seria o posicionamento do parente, que morreu em 2011.

– Bom, se vocês acharam o meu depoimento forte, imagina o Sócrates. Inaceitável, indignação, só que na natureza dele iria se colocar e obviamente na mesma linha eu seguiria. E ao estilo do Doutor Sócrates, que com certeza teve uma importância gigantesca na história do país – falou Raí.

O posicionamento do São Paulo

Como diretor-executivo do Tricolor, Raí está preocupado com uma eventual aceleração do processo de retorno às atividades do futebol no Brasil.

– É bom deixar claro e reforçar que a posição do São Paulo não é voltar rápido. É voltar ao seu tempo, com as orientações, e gradativamente, começando obviamente o treino sem uma data certa de quando o campeonato vai retornar – disse o dirigente.

Em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro se mostrou favorável ao retorno do futebol, desde que houvesse parecer técnico do Ministério da Saúde. Na última segunda-feira, ele afirmou ter sido procurado por autoridades do futebol e disse que “está sendo trabalhado nesse sentido”.

Jair Bolsonaro em entrevista em frente ao Palácio da Alvorada — Foto: Reprodução / TV GloboJair Bolsonaro em entrevista em frente ao Palácio da Alvorada — Foto: Reprodução / TV Globo

Jair Bolsonaro em entrevista em frente ao Palácio da Alvorada — Foto: Reprodução / TV Globo

 

O secretário especial da Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, afirmou que o retorno do futebol brasileiro acontecerá “em breve”.

Ainda sem uma definição para retorno das atividades, o São Paulo tem se preparado para equipar o clube e ter condições de retomar a rotina com segurança. Inclusive para fazer testes do coronavírus.

– É uma preocupação nossa os testes. Vemos que está começando a crescer oferta, nós também temos de estar ligados à realidade do país, a necessidade dos hospitais. De qualquer forma, estamos encomendando e vendo como podemos ter acesso a todos equipamentos de segurança – disse.

Raí vai propor à Federação Paulista de Futebol também que os clubes e a FPF ajudem os hospitais:

– De alguma forma, quando voltar, o futebol tem de estar atento para colaborar também dependendo da realidade no momento e na medida do possível com a rede estatal de hospitais. É uma coisa a se pensar também. É uma coisa que também estava pensando em propor à federação. Os clubes vão precisar dos equipamentos, mas a federação e os clubes também podem colaborar com a população.

O Brasil registra mais de 5 mil mortes por Covid-19. No estado de São Paulo houve mais de 2 mil óbitos até esta quarta-feira, de acordo com o último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde.

O governador do estado, João Dória (PSDB), decretou quarentena até o dia 10 de maio, quando haverá nova avaliação da situação.

Globo Esporte

No Dia do Goleiro, São Paulo lança nova camisa para a posição; veja

Neste domingo, 26 de abril, o São Paulo e sua fornecedora de material esportivo, a Adidas, aproveitaram a comemoração do Dia do Goleiro para lançar os novos uniformes para os jogadores da posição. Antes mesmo da paralisação das competições, Tiago Volpi posou para fotos com a nova camisa.

Os novos modelos contam com cores marcantes e grafismo nas golas. O lançamento deles acontece durante o movimento #hometeam liderado pela Adidas, enquanto o futebol nacional passa por período de recesso. A cor do uniforme do Tricolor é roxa, como mostram as imagens abaixo:

Fellipe Lucena

@fellucena

Nova camisa de goleiro do São Paulo, lançada pela Adidas no Dia do Goleiro. Estará à venda a partir de hoje no site da marca por R$ 249,99. Gostaram?

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A fornecedora esclarece que as fotos com Tiago Volpi foram tiradas antes da recomendação de isolamento doméstico, portanto não houve quebra de quarentena para a realização desse material publicitário.

As camisas estarão disponíveis para serem adquiridas a partir deste domingo no site adidas.com.br/futebol pelo valor de R$ 249,99.

Lance

Agente diz que Lucas Moura quer voltar ao São Paulo e ironiza chance por Cavani: “Sonho de verão”

O empresário Wagner Ribeiro concedeu entrevista para a emissora Fox Sports e falou sobre o futuro do meia Lucas Moura, atleta também por ele representado.E segundo ele, o seu sonho é poder um dia retornar ao São Paulo, clube que o revelou.

“O sonho do Lucas sempre foi voltar ao São Paulo para encerrar a carreira. Ele tem paixão pelo São Paulo”, disse o agente sobre o atleta de 27 anos.

Ainda falando sobre o clube do Morumbi, Wagner comentou sobre a possibilidade do uruguaio Edinson Cavani, que encerra o seu contrato com o Paris Saint-Germain agora em junho, reforçar a equipe. Mas para o agente, isso não passa de um sonho, como assim definiu.

“Em relação ao Cavani, é um sonho de inverno, de outono, de verão. É impossível pagar o que ele ganha no PSG”, completou.

Fox Sports

Lugano elogia Rodrigo Caio e diz que tentou mudar rumo do zagueiro

Diego Lugano, superintendente de relações institucionais do São Paulo, revelou em entrevista aos jornalistas Arnaldo Ribeiro e Eduardo Tironi que conversou com um clube turco sobre Rodrigo Caio. A ideia é que ele não fosse negociado com o Flamengo no início de 2019, mas saísse do Brasil.

– Ninguém de nós duvidava que ele seria destaque onde fosse, jogador de Seleção. Eu tentei que ele fosse para o exterior e não ficasse no Brasil, até falei com um time lá da Turquia que não queria ele no Brasil. Não queria reforçar um rival com o Rodrigo, porque sabia que ia dar muito certo. Mas pelo carinho que tenho por ele, pelo que vi ele dar para o São Paulo, e nem sempre o contexto São Paulo deu para ele esse reconhecimento, fico muito feliz pelo que ele está vivendo – declarou o uruguaio.

Rodrigo Caio é cria das categorias de base do São Paulo, em Cotia, e atuou na equipe profissional de 2011 a 2018. No período, acumulou 13 gols em 277 e participou da campanha do título da Copa Sul-Americana de 2012. Ficou marcado por algumas negociações frustradas – a última para o Barcelona, em 2018 – e por polêmicas com Rogério Ceni (o episódio do fair play em um jogo contra o Corinthians) e Diego Aguirre (irritou-se por receber poucas chances do uruguaio e por ser improvisado como lateral-direito).

– No futebol, para ser ídolo, você tem que ser vitorioso. São as regras do jogo, não tem mistério. Rodrigo jogou 260 jogos no São Paulo, mais que eu até. Teve continuidade, demonstrou grande nível, foi para a Seleção. Foi muito leal ao São Paulo, muito leal. E o São Paulo foi muito leal a ele, porque o clube também tem que ser muito leal ao jogador para que ele jogue 260 jogos. E ele também é são-paulino, sofria com as derrotas, vibrava com as vitórias. Como todo ciclo na vida, chegou o momento em que o melhor para ele e para o São Paulo era que ele continuasse a carreira em outro lugar, senão seriam prejudicados o Rodrigo e o São Paulo, principalmente porque os grandes resultados não aconteceram. Obviamente que não era culpa do Rodrigo, mas do contexto geral – emendou Lugano.

No Flamengo, Rodrigo é titular absoluto e já faturou os títulos do Carioca, do Brasileirão, da Libertadores, da Recopa Sul-Americana e da Supercopa do Brasil. Aos 26 anos, soma 63 jogos e cinco gols pelo Rubro-Negro.

Lance

Saudade? No dia que seria de São Paulo x River, lembre duelos com o time argentino na Libertadores

Nesta quarta-feira, 22 de abril, o São Paulo deveria estar em Buenos Aires para aquela que é apontada com a partida mais difícil da fase de grupos da Libertadores: o duelo contra o River Plate, no Monumental de Nuñez.

O histórico estádio estaria vazio, uma punição à torcida do River Plate pelo ataque ao ônibus do Boca Juniors dois anos atrás, na final do torneio. As arquibancadas do Monumental continuarão vazias, mas agora por causa da epidemia de Covid-19 que paralisou a Libertadores.

Para tentar matar um pouco desta saudade, o GloboEsporte.com relembra os quatro jogos entre São Paulo e River Plate pela Libertadores.

2005 – Duas vitórias e vaga na final

Rogério Ceni comemora gol sobre o River Plate no Morumbi — Foto: ReutersRogério Ceni comemora gol sobre o River Plate no Morumbi — Foto: Reuters

Rogério Ceni comemora gol sobre o River Plate no Morumbi — Foto: Reuters

 

O River Plate fez campanha quase perfeita na fase de grupos, com cinco vitórias e um empate, e garantiu a vantagem de decidir os mata-matas em casa. O São Paulo avançou sem sustos, mas com três vitórias e três empates.

Antes de se encontrarem nas semifinais, River e São Paulo eliminaram LDU e Banfield e Palmeiras e Tigres, respectivamente.

O primeiro jogo foi no Morumbi, e o São Paulo não tinha o lateral Cicinho, um dos destaques da equipe – ele estava com a Seleção que jogava a Copa das Confederações na Alemanha. Mineiro foi improvisado na direita.

A partida teve confusão antes de começar, com torcedores argentinos e policiais militares brigando – uma imagem marcante daquele dia foi a de um argentino tomando o capacete de um policial.

Em campo, os donos da casa se impuseram, mas só no segundo tempo. Danilo fez o primeiro, aos 32 minutos, e Rogério ampliou, de pênalti, aos 44 minutos. O 2 a 0 deu ótima vantagem à equipe.

No jogo da volta, o São Paulo abriu o placar com Danilo no primeiro tempo, viu o River empatar, mas chegou a fazer 3 a 1 no segundo tempo – os argentinos conseguiram diminuir no fim, mas em momento algum a vaga na final foi ameaçada.

Em 2005, São Paulo vence River Plate por 3 a 2 na semifinal da Libertadores

Em 2005, São Paulo vence River Plate por 3 a 2 na semifinal da Libertadores

Como em São Paulo, o jogo em Buenos Aires teve violência: a torcida tricolor foi alvo dos locais fora e dentro do estádio.

O triunfo levou o São Paulo de volta a uma final de Libertadores após 11 anos. O time seria campeão sobre o Athletico.

2016 – empate na Argentina, raça e fôlego no Morumbi

Calleri fez dois gols no Morumbi — Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.netCalleri fez dois gols no Morumbi — Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Calleri fez dois gols no Morumbi — Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

 

O São Paulo ficou com a última vaga brasileira na Libertadores de 2016, o quarto colocado no Brasileiro de 2015. Por isso, precisou jogar a primeira fase, eliminatória, contra o Cesar Vallejo, do Peru. Empate por 1 a 1 fora, vitória por 1 a 0 em casa.

A equipe avançou e trombou com o River Plate, então campeão do torneio, logo na fase de grupos.

O primeiro jogo aconteceu em Buenos Aires na segunda rodada. O São Paulo, que tinha perdido antes para o Strongest por 1 a 0, um vexame no Pacaembu, começou bem na Argentina e abriu o placar o com Ganso.

Mas depois, numa trapalhada, Denis falhou e Thiago Mendes marcou gol contra, o que fechou o placar em 1 a 1.

São Paulo empata com o River Plate fora de casa pela Libertadores

São Paulo empata com o River Plate fora de casa pela Libertadores

 

O jogo em São Paulo foi mais tenso. O São Paulo estava mal na Libertadores e precisava vencer para não depender de uma vitória na última rodada, quando iria à altitude de La Paz enfrentar o Strongest.

Calleri brilhou. O atacante argentino fez os dois gols da vitória por 2 a 1 no Morumbi lotado e manteve o São Paulo na segunda posição do grupo, dependendo apenas de um empate em La Paz para avançar – como de fato aconteceu, em jogo lembrado por acabar com o zagueiro Maicon no gol.

Os gols de São Paulo 2 x 1 River Plate pela 5ª rodada do Grupo 1 da Libertadores

Os gols de São Paulo 2 x 1 River Plate pela 5ª rodada do Grupo 1 da Libertadores

 

O São Paulo, mesmo criticado, avançou até as semifinais da Libertadores em 2016, quando foi eliminado pelo Atlético Nacional, da Colômbia, que seria o campeão.

Na atual Libertadores, River Plate e São Paulo têm três pontos, com uma vitória e uma derrota cada, assim como LDU e Binacional. Os argentinos lideram o grupo com melhor saldo de gols.

Globo Esporte

14 anos sem o Mestre: São Paulo presta homenagem a Telê Santana

Há exatamente 14 anos, o futebol brasileiro ficava órfão de um de seus maiores treinadores: Telê Santana. Além disso, a torcida do São Paulo perdia um dos maiores ídolos de sua história. E nesta data o clube não poderia deixar de prestar suas homenagens a esse grande personagem. Para isso, usou suas redes sociais e relembrou a trajetória do Mestre no Morumbi.

São Paulo FC (de 🏠)

@SaoPauloFC

1️⃣4️⃣ anos sem o Mestre…

Foi no Dia de Tiradentes, em 21 de abril de 2006, que o mineiro Telê Santana partiu, aos 74 anos, deixando um legado incalculável ao São Paulo Futebol Clube e ao futebol mundial. Mestre Telê é eterno. ❤️

“Olê, olê, olê, olê… Telê, Telê!” 🇾🇪

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Telê teve duas passagens pelo Tricolor, a primeira em 1973, que não rendeu conquistas e a segunda entre 1990 e 1996, em que acumulou alguns dos maiores títulos da história são-paulina, incluindo dos Mundiais e duas Libertadores. Somando esses dois momentos, foram 410 jogos à frente do time, como 197 vitórias, 122 empates e 91 derrotas.

São Paulo FC (de 🏠)

@SaoPauloFC

Telê teve duas passagens pelo Tricolor (1973 e 1990-1996). Técnico mais vencedor da nossa história 🇾🇪

🏆🏆 Mundiais (92 e 93)
🏆🏆 Libertadores (92 e 93)
🏆 Supercopa Sul-Americana (93)
🏆🏆 Recopas (93 e 94)
🏆 Brasileiro (91)
🏆🏆 Paulistas (91 e 92)

Mestre Telê é eterno. ❤️

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Ao todo, Telê Santana levantou dez troféus pelo São Paulo: dois Mundiais (1992 e 1993), duas Libertadores (1992 e 1993), dois Paulistas (1991 e 1992), um Brasileiro (1991), uma Supercopa Libertadores (1993) e duas Recopas Sul-Americanas (1993 e 1994). Em 1996, por conta de uma isquemia cerebral, deixou o clube. Ainda tentou retornar ao trabalho para treinar o Palmeiras, em 1997, porém não conseguiu e acabou encerrando a carreira.

São Paulo FC (de 🏠)

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🗣 Telê Santana: “É difícil alcançar a perfeição, mas não é difícil aproximar-se dela” 🇾🇪

Mestre Telê é eterno. ❤️

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Em 21 de abril de 2006, aos 74 anos, após quase um mês internado devido a uma infecção abdominal, Telê teve falência múltipla dos órgãos e acabou falecendo em um hospital de Belo Horizonte. Além de ficar marcado para sempre na história do Tricolor, o treinador dirigiu a Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo, em 1982, na Espanha, e em 1986, no México.

São Paulo FC (de 🏠)

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🗣 Telê Santana: “Eu rezo todos os dias, mas nunca peço nada mais. Acho que já consegui tanta coisa, que eu só agradeço pelo que consegui” 🇾🇪

Mestre Telê é eterno. ❤️

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Lance

Tréllez, do São Paulo, faz leilão de camisas e arrecada R$ 53 mil para famílias afetadas por pandemia

Tréllez, do São Paulo, arrecadou R$ 53 mil em um leilão online com 60 camisas de times de futebol para ajudar famílias afetadas pela pandemia do novo coronavírus.

O jogador pretende repassar o dinheiro a instituições da cidade de São Paulo e outras da Colômbia.

Tréllez leiloou camisas de jogadores como Daniel Alves, Pato, Arboleda, Nenê, D´Alessandro, Guerrero, James Rodriguez, Falcão Garcia, Hernanes, Vitor Bueno, Berrío, Rodrigo Caio, Ospina e Juanfer Quintero, entre outras.

Tréllez conversa com Lugano em leilão promovido pelo atacante para ajudar pessoas em meio à pandemia — Foto: ReproduçãoTréllez conversa com Lugano em leilão promovido pelo atacante para ajudar pessoas em meio à pandemia — Foto: Reprodução

Tréllez conversa com Lugano em leilão promovido pelo atacante para ajudar pessoas em meio à pandemia — Foto: Reprodução

 

Lugano, diretor de relações institucionais do Tricolor, Nenê, hoje no Fluminense e ex-companheiro no São Paulo, Berrío (Flamengo), Catalina Peres (goleira da seleção da Colômbia) e Sebastián Pérez (Boca Juniors) participaram da transmissão de dez horas feita por Tréllez em seu instagram.

– Sensação muito linda. Sabia que as pessoas ajudariam no leilão, mas não imaginava que seria tanto e que as camisas seriam vendidas tão caras para ajudar as famílias que precisam nesse momento. E ainda não terminamos. Estou muito contente. Vamos poder ajudar muitas pessoas no Brasil e na Colômbia. Fico feliz. Muito obrigado a todos que me ajudaram nesse leilão, do nosso grupo do trabalho, amigos, companheiros que doaram camisas e aos que entraram na “live” (transmissão ao vivo) para ajudar. Muito obrigado mesmo – disse Tréllez.

O atacante do São Paulo planeja um outro leilão virtual no próximo sábado com camisa de outros jogadores.

O Brasil tem quase 40 mil pessoas infectadas e 2.507 mortes, segundo dados das secretarias estaduais de Saúde. O estado de São Paulo registra cerca de 14 mil casos e ultrapassou mil mortes causadas pela Covid-19. A quarentena no estado foi prorrogada até o dia 10 de maio.

Tréllez exibe camisa de Nenê, do Fluminense, em leilão promovido na internet — Foto: ReproduçãoTréllez exibe camisa de Nenê, do Fluminense, em leilão promovido na internet — Foto: Reprodução

Tréllez exibe camisa de Nenê, do Fluminense, em leilão promovido na internet — Foto: Reprodução

 

Globo Esporte

Muricy e o tri do São Paulo: liberdade, fome e justiça foram guias de campanha histórica

Muricy Ramalho não construiu apenas um São Paulo campeão. Foram três consecutivos. Atual companheiro de comentários nos canais Globo, o ex-técnico atendeu o blog durante a quarentena para falar sobre os desafios de chegar ao topo do futebol nacional, e se manter. No comando do seu Tricolor, Muricy conquistou os títulos brasileiros de 2006, 07 e 08.

Nessa entrevista, que dá sequência aos bate-papos sobre times marcantes do país neste século, Muricy relembra um dos períodos mais gloriosos de sua carreira e também da história do São Paulo.

Você chegou ao São Paulo dias depois do título mundial. Como foi assumir uma equipe tão vencedora e manter essa fome para 2006?

– Quando o treinador chega num time que está muito mal, ele tem a dificuldade de armar o time num momento ruim, mas para mim é mais difícil chegar a um time que ganhou tudo. Foi o que encontrei. Não podia nem olhar direito, os caras estavam cheios de marra, não queriam treinar um pouco a mais, a comissão técnica e os dirigentes um pouco acomodados. O cara com mais fome era eu. Para fazer os caras arrancarem de novo, entenderem que a vida continuava, foi complicado. Tinha ganhado Libertadores e Mundial. Fui colocando minha maneira de ser, eles foram comprando a ideia e pegaram no tranco de novo.

Houve alguns revezes no início do ano, que até custaram o título paulista. Esses resultados te ajudaram a colocar os pés dos jogadores no chão?

– A gente nem se importava tanto se perdesse algum jogo porque era bom para mostrar que eles não eram invencíveis, não. Perdemos de times pequenos, mas com isso também vinha a desconfiança em relação a quem estava chegando. Era uma dificuldade gigante e nos anos seguintes foi a mesma coisa, porque ganhávamos o Campeonato Brasileiro e tínhamos que recomeçar. No futebol brasileiro, o cara costuma se acomodar quando ganha alguma coisa.

O São Paulo contratou, no início de 2006, jogadores como Leandro, André Dias, Alex Dias, Rodrigo Fabri. Depois chegaram Lenilson, Ilsinho, Lima. Era importante aumentar o elenco para estimular a competitividade nos que haviam sido campeões mundiais?

– É, e também trocar alguns jogadores porque esse negócio de gratidão no futebol é legal, obrigado, mas já vi tantos técnicos quererem agradar o jogador que ganhou títulos, ficar com ele, e começarem os problemas. Em alguns momentos tem que trocar, agradecer e tirar. Chegaram jogadores novos, estavam com fome, como eu, e começou o lado competitivo de novo. Assim houve mais resultados.

E como você escolhia entre os que ficaram e os que estavam chegando? Os treinos diziam, havia uma hierarquia dos campeões?

– O que o jogador de futebol mais olha no treinador é o senso de justiça. Se ele vê algum privilégio, se o craque não está jogando nada e o cara mantém, ou aquele que está treinando bem não tem oportunidade. E esse era meu forte, eu não tinha medo de nada. Eu sempre falava que quem estivesse bem ia jogar. Os caras antigos queriam manter a posição e os novos queriam ganhar. Era uma competição sem sacanagem. Tinha jogador que até se assustava quando eu botava para jogar.

E a questão dos três zagueiros? Era uma preferência sua ou o entendimento de que o time estava acostumado a atuar naquela função com Leão e Autuori?

– A característica do jogador vem primeiro. O São Paulo tinha zagueiros grandes, rápidos e que saíam para o jogo. Não adianta escalar três se os zagueiros dos lados não saírem, senão você fica com linha de cinco. Outra coisa que mudei é que meus laterais eram meias. Botei Souza, Jorge Wagner, o próprio Júnior eu fazia ir para dentro do campo e trazia o Danilo para fora. Senão ficaria muito justinho, todo mundo saberia como enfrentar. O único lateral mesmo que tive foi o Ilsinho (de metade de 2006 até meio de 2007). Até o Hernanes e o Leandro jogaram como alas, porque eles quase não voltavam. Era do meio para frente, às vezes pela beirada e às vezes por dentro.

São Paulo engrenou em 2006 com as chegadas de Ilsinho e Miranda, e chegou ao tetra no 4-4-2 clássico — Foto: GloboEsporte.com

 

Em 2006, você foi campeão com o Ilsinho na lateral direita, num 4-4-2. Mas em 2007, seu lateral muitas vezes foi um zagueiro. Breno, André Dias, Alex Silva. E com eles você alternava o sistema de jogo sem fazer substituições. Essa foi a marca do time de 2007, que sofreu pouquíssimos gols?

– É verdade, com o Breno eu transformava em linha de quatro sem fazer trocas. Para não ficarmos manjados. Quando você fica muito tempo num lugar, tem que modificar treinamentos, um pouco da parte tática. O jogador brasileiro enjoa, fica de saco cheio dos treinos, é sempre a mesma coisa. Eu treinava para modificar o time sem trocar os jogadores. Isso também criava uma novidade para eles.

Em 2007, São Paulo bate o América-RN por 3 a 0 na 34ª rodada e conquista o Brasileirão

Em 2007, São Paulo bate o América-RN por 3 a 0 na 34ª rodada e conquista o Brasileirão

 

E como foi essa busca por novos treinamentos durante os três anos e meio que você esteve lá?

– Acho que você tem de dar o treinamento de acordo com o que aconteceu no jogo passado. Se errássemos muitos passes, durante a semana tínhamos que corrigir esse problema. Eu tinha curiosidade de mudar alguns treinos, às vezes da minha cabeça, em outras de ver futebol. Antigamente, era mais fácil ver treinamentos, algum movimento que a própria televisão mostrava e a gente adaptava. Era preciso criar algumas coisas.

Ao longo do tricampeonato, o São Paulo perdeu muitos jogadores e contratou muitos também. Como era essa movimentação? E como era a sua atuação nisso?

– Aquele time ganhou três títulos brasileiros e chegou à final da Libertadores, estava sempre brigando por alguma coisa. Eu, o Tata e o Milton Cruz (auxiliares de Muricy no São Paulo) temos amigos empresários, conhecíamos o mercado, sabíamos quem iríamos perder, quem estava valorizado, em conversas adiantadas. Estudávamos o mercado e o Juvenal (Juvêncio, presidente do São Paulo entre 2006 e 2013) nos dava toda liberdade. Sabíamos também que jogadores de outros times ficariam sem contrato e tinham renovações difíceis. E na época todos queriam vir para o São Paulo. Ele sabia que receberia em dia, brigaria por títulos, teria visibilidade.

Quais foram as contratações mais certeiras que vocês fizeram?

– Não olhávamos jogador mais ou menos, não. Queríamos jogadores prontos, mas sabíamos que futebol é negócio e o Juvenal sempre dizia que o São Paulo precisava contratar jogadores para se valorizarem. O Ilsinho ainda era desconhecido no Palmeiras, em formação, quando trouxemos. Ele deu uma resposta muito grande e logo foi vendido. O Miranda estava no Sochaux (FRA), ia para o Internacional, mas falamos com ele e veio para o São Paulo. Fez um trabalho muito bom e teve custo baixíssimo.

E o Borges, que acabou sendo o grande protagonista da reta final do título de 2008, com gols em todos os jogos?

– Ele havia sido meu jogador no São Caetano e estava no Japão. Ele fazia gol em qualquer lugar, mas não se adaptou bem fora de campo, ele e a esposa. Ele me ligava e dizia: “Professor, me tira daqui, estou passando sufoco, minha mulher está mal, com depressão”. Eu falei para um diretor que precisávamos de um centroavante, e ele dizia: “Quem é Borges? Ninguém conhece, como vamos trazer?”. Mas eu conhecia. É coisa de amador, esses curiosos do futebol. Aí, num fim de semana, o LANCE! publicou que o Corinthians queria o Borges. Esse mesmo diretor veio correndo me contar e eu disse: “Estou falando há meses para o senhor trazer, e o senhor pergunta quem é. Agora vai ficar mais caro”. Mas ele havia nos dado preferência.

Em 2008, São Paulo vence o Goiás por 1 a 0 e conquista o Campeonato Brasileiro

Em 2008, São Paulo vence o Goiás por 1 a 0 e conquista o Campeonato Brasileiro

 

Essa não deve ter sido a única vez que você e os dirigentes discordaram sobre reforços, não é?

– O dirigente às vezes não conhece. Quando eles queriam contratar alguém e eu falava que não servia: “Como não serve?”. Alguns já tinham operado (ligamento) cruzado, outros tinham problema de recuperação, de grupo, caíam na noite. Eu já tinha ligado para o técnico dele. Eu vivo disso, conheço todo mundo, mas eles ficavam invocados porque queriam trazer. Era sugestão de empresário. “Você não gosta de nenhum que eu falo?”, eles perguntavam. E eu respondia: “No dia em que o senhor falar um bom, eu quero”.

Ou seja, foram anos desgastantes tanto na relação com o elenco, de manter a fome, quanto com a diretoria. Nesse contexto, qual foi a importância de ter sempre o mesmo capitão, o Rogério, um jogador com tanta ascendência tanto no time como na diretoria?

– Eu conhecia o Rogério desde garoto, fiz a mudança dele (para o time titular, no fim de 1996) com o Zetti. Foi a coisa mais difícil que fiz no futebol porque o Zetti era um ídolo, era o Rogério Ceni da época, era o cara. E muito meu amigo e do próprio Rogério, frequentava nossas casas. Só que o Rogério estava pedindo passagem, arrebentando nos treinamentos, e disse que se não fosse aproveitado iria embora. Tive facilidade de trabalhar com ele porque ele sabia que tipo de jogador eu queria, pensava, ele também era muito competitivo. Nós pensávamos muito parecido. E ele era o cara do time, o ídolo. O jogador que chegava era esperto, se sentava ao lado do Rogério e ficava olhando o que ele fazia. E ele só fazia coisas positivas. Treinava para caramba, não chiava de concentrar, se preocupava com o time. Então os outros ficavam pianinho. Ele fazia o papel de capitão mesmo, de cobrar e dar exemplo. Porque uma hora o treinador fica chato e precisa deixar que eles se resolvam.

O São Paulo, penta em 2007, alternava do 3-5-2 para o 4-4-2 com Breno virando lateral, Richarlyson ou Júnior recuando à primeira linha, e Souza e Jorge Wagner abertos na segunda. Sem a necessidade de fazer substituições — Foto: GloboEsporte.comO São Paulo, penta em 2007, alternava do 3-5-2 para o 4-4-2 com Breno virando lateral, Richarlyson ou Júnior recuando à primeira linha, e Souza e Jorge Wagner abertos na segunda. Sem a necessidade de fazer substituições — Foto: GloboEsporte.com

O São Paulo, penta em 2007, alternava do 3-5-2 para o 4-4-2 com Breno virando lateral, Richarlyson ou Júnior recuando à primeira linha, e Souza e Jorge Wagner abertos na segunda. Sem a necessidade de fazer substituições — Foto: GloboEsporte.com

Muricy, uma das grandes soluções que você encontrou em 2007 foi a dupla Richarlyson e Hernanes, em substituição às saídas do Mineiro e depois do Josué. Ambos atuavam em muitas posições, como se deu essa junção de características que, na prática, funcionou tão bem?

– Os dois eram muito fortes fisicamente. Richarlyson até hoje é um atleta. Eu olhava o Hernanes desde o início, e ele jogava de lateral-direito, lateral-esquerdo, meia, dali a pouco foi centroavante no Santo André. Para o treinador é legal ter um coringa, mas para o jogador é muito ruim. Joga de tudo e ao mesmo tempo não é nada. No início de 2007, o São Paulo mandou um time reserva a uma excursão na Índia, e nós pedimos ao Silva, que seria o treinador, para escalar o Hernanes como segundo volante porque tínhamos perdido o Mineiro. Tentamos de todos os jeitos convencê-lo a ficar, o Juvenal aumentando seu salário, mas não deu. Na volta, o Silva disse que ele jogou muito bem. Então não foi difícil. Ele passava bem, arrematava, driblava, aquela pedalada que faz até hoje. Era um volante diferente para a época. E o Richarlyson tinha muita força e potência, dividia o campo por ser canhoto, dava proteção ao ala. Ambos davam muita opção, não eram fixos, tinham liberdade de ir à frente.

E ter um volante canhoto é um privilégio para iniciar as jogadas, não?

– Pois é, e tínhamos uma jogada que era abrir o Jorge Wagner pela esquerda, e quando ele estava muito apertado, o Richarlyson passava por fora, indo para o fundo. Um destro teria muita dificuldade. O Richarlyson, além de forte fisicamente, era inteligente.

Você disse muitas vezes que 2008, o hexa, foi o mais difícil dos títulos. Naquele ano, o São Paulo contratou Adriano, Carlos Alberto e Fábio Santos no primeiro semestre, mudou o perfil para tentar ganhar a Libertadores. Não deu certo, todos saíram, e a remontagem foi durante o campeonato. Isso tornou mais difícil?

– O time não rendeu bem com eles, foi desclassificado na Libertadores e eu já estava há muito tempo falando “não” para dirigente, havia o desgaste de quererem me tirar toda hora, principalmente depois de cair para o Fluminense. Chegou um momento em que os dirigentes não iam mais ao CT.

Muricy Ramalho  pelo São Paulo em 2008 — Foto: DivulgaçãoMuricy Ramalho  pelo São Paulo em 2008 — Foto: Divulgação

Muricy Ramalho pelo São Paulo em 2008 — Foto: Divulgação

 

E você não pensou em sair, nesse cenário?

– Eu tive uma proposta muito alta do Catar e perguntei ao Juvenal: “Como sempre, sua turminha quer me tirar. Vou ficar ou não?”. Ele bateu na mesa de novo e falou: “Claro que vai ficar, mas não vamos desistir”. Aquele era o time mais limitado dos três anos, mas tinha caras muito fortes mentalmente, que queriam vencer. Hernanes, Jean, Hugo, Borges… E quando saíram os craques, os famosos, eles resolveram que seria com eles mesmo. Estávamos 11 pontos atrás do Grêmio e demos a volta, passamos por cima no segundo turno, baseados na disciplina tática e na vontade de vencer. Éramos ignorados pela diretoria, tive de convencer os jogadores de que era possível. Nesses momentos ruins, o técnico precisa ser melhor. E eu tinha facilidade com o grupo, a comissão e os funcionários do CT, todos do nosso lado. Remávamos de um lado, a diretoria remava para outro.

Reveja a entrevista coletiva de Muricy Ramalho após conquistar o título do Brasileirão de 2008

Reveja a entrevista coletiva de Muricy Ramalho após conquistar o título do Brasileirão de 2008

Já falamos do Borges, mas o Hugo também foi importantíssimo nesse fim de 2008.

– E ele não era muito bem quisto por todo mundo, mas jogou muito. Ele tinha uma força incrível e chegava à área do adversário toda hora, decidia jogo, por isso era importante para aquela função. Não era um armador, mas era outro atacante, com presença muito grande. Era um time taticamente muito aplicado e difícil de ser batido.

No hexa, São Paulo teve menos flexibilidade e opções, mas contou com a disciplina de todos, a inspiração de Hernanes, e os gols de Hugo e Borges, especialmente na reta final — Foto: GloboEsporte.comNo hexa, São Paulo teve menos flexibilidade e opções, mas contou com a disciplina de todos, a inspiração de Hernanes, e os gols de Hugo e Borges, especialmente na reta final — Foto: GloboEsporte.com

No hexa, São Paulo teve menos flexibilidade e opções, mas contou com a disciplina de todos, a inspiração de Hernanes, e os gols de Hugo e Borges, especialmente na reta final — Foto: GloboEsporte.com

 

É difícil falar de três anos de montagem, mas qual era a característica comum de todos esses São Paulo que vocês criaram?

– Se olharmos com carinho, havia uma ideia de jogo. O Carlinhos (Neves, preparador físico daqueles times) me ligou outro dia, e estávamos lembrando um conceito definido. O São Paulo sabia o que queria dentro de campo, tínhamos ideias e acreditávamos nelas. Isso fazia a diferença.

Quando você fala em ideia, é algo diferente do sistema, certo? O sistema, se 3-5-2, 4-4-2, era só um mecanismo para executar essa ideia?

– É, o número é o seguinte. Você dá a preleção com linha de três ou de quatro, mas quando a bola rola e os jogadores se movimentam, desmancha tudo. O que interessa é o que o time pensa com e sem a bola. Para mim, futebol não é muito difícil. Tem de haver uma ideia sem a bola, se vai marcar adiantado ou atrás da bola, tem que ser muito definido. E com a bola, fazemos o quê? Atacamos com os dois laterais, liberamos os volantes, pressionamos lá na frente após a perda? Os números mudam toda hora, o grande segredo são as movimentações. O Júnior e o Jorge Wagner vindo como meias, o Danilo abrindo na ponta esquerda. O volante pegando a bola e sabendo que o ala iria avançar, imediatamente o zagueiro também ia embora para dar apoio. Isso foi ficando automático.

E a ideia, qual era?

– Um time com muitas variáveis em seu sistema. O pessoal falava muito dos três zagueiros, mas os alas eram meias que vinham por dentro e chegavam ao gol adversário. A movimentação era o segredo. Eu estava revendo um São Paulo x Grêmio, que ganhamos no Morumbi, e era brincadeira a movimentação. O Leandro de fora para dentro, os volantes chegando, era uma confusão. Mas as pessoas se fixaram nos três zagueiros, isso até foi bom para nós. Quando jogávamos com três, eles saíam por fora. No meio-campo, marcador mesmo foi o Josué. Todos os outros – Richarlyson, Jean, Hernanes, Mineiro, Souza – saíam. Tudo envolvia liberdade.

Globo Esporte – Por Alexandre Lozetti

Perda de receitas, redução salarial… Diretor do São Paulo explica impacto da pandemia nas finanças do clube

A situação dos clubes brasileiros já não era fácil antes da paralisação das competições por conta da pandemia de coronavírus e deve piorar bastante nos próximos meses. Isso não é diferente no São Paulo, um gigante no país, que estava tentando se ajustar antes da paralisação e acabou levando o duro golpe que em um mês já trouxe impactos significativos nos cofres tricolores.

Em entrevista para a Rádio Transamérica, na última quarta-feira, o diretor financeiro do São Paulo, Elias Albarello, explicou um pouco dos efeitos econômicos da pandemia nas contas do clube, além dos meandros da negociação de redução salarial com os jogadores. Somente em bilheteria, o dirigente estima ter perdido cerca de R$ 6,5 milhões.

– Já tivemos (impacto) no início de março e impactará nos meses seguintes, porque evidentemente ninguém tem dimensão de até quando ficaremos nessa situação e já foi devidamente publicado, sobre o não pagamento/recebimento da última cota de direitos de TV do Campeonato Paulista. Além disso tem a receita da bilheteria. Para dar valores nisso, nós tivemos o último jogo antes da paralisação contra o Santos, no Morumbi, um jogo de portões fechados, quando nós já tínhamos vendido algo em torno de R$ 1,2 milhão. Logo em seguida, isso foi num sábado, na terça-feira nós teríamos o jogo contra o River Plate, que já tínhamos vendido antecipadamente algo em torno de R$ 5 milhões. Só aí estamos falando de R$ 6,5 milhões – calculou.

Para amenizar esse impacto, Albarello comemorou o fato de ter renovado o contrato de patrocínio com o Banco Inter, que terminaria neste mês e foi prorrogado até o final do ano. Segundo o diretor são-paulino, essa negociação é algo inédito em meio ao caos econômico mundial.

– Fora o que acarretou em função de patrocínios, de não recebimento, e isso é muito natural, de algumas parcelas de alguns contratos. Felizmente o Banco Inter entendeu essa situação, continuou com essa parceria, vai continuar, renovação algo inédito no Brasil, talvez no mundo, de renovar um patrocínio até o final do ano, neste momento – declarou.

Esses impactos da pandemia forçam o clube a tomar atitudes em relação aos gastos mensais, como a folha salarial do elenco. A iniciativa do clube foi reduzir o salário dos jogadores em 50%, garantindo pelo menos R$ 50 mil mensais para cada um e o ressarcimento do restante em parcelas, após a volta das receitas. Embora a decisão não tenha agradado ao elenco, Elias Albarello afirma que ninguém vai deixar de receber e o tema continua aberto.

– Isso nos levou a algumas ações junto ao clube, internamente, não somente em relação ao elenco, mas também na administração, não foi diferente. Estamos trabalhando com fornecedores, tentando estabelecer uma negociação com os principais fornecedores, sempre entendendo esse momento, evidentemente. E com os atletas, que naquele momento é o maior impacto dentro dos custos do clube, uma proposta de negociação, que não é uma redução, como muitos divulgaram, uma redução unilateral do São Paulo, foi feito aí uma grande discussão com os atletas de um diferimento de 50% dos salários. Então nós estamos pagando os 50%, e vamos diferir quando voltarmos a ter receita. Muito se divulgou que isso não foi aceito, na verdade foi colocado isso e os atletas entenderam – explicou, antes de concluir:

– Felizmente a gente tem ali no São Paulo uma relação muito boa, diretoria de futebol, com os atletas, com a comissão técnica, e foi possível fazer uma discussão em alto nível. Evidentemente que essa discussão não está encerrada, até porque nós teríamos o retorno dos atletas, previsto para o dia 20, o que provavelmente vai se estender até o final do mês, mas está sempre aberto, até porque não temos ideia até que momento nós vamos vivenciar o que está acontecendo. Então a princípio foi feita essa negociação, entendemos que atende as necessidades dos atletas e também dentro do nosso fluxo de caixa, que consegue ultrapassar essa fase.

Lance

FPF reúne clubes da Série A1 para decidir o que fazer com o Paulistão

A Federação Paulista de Futebol vai reunir todos os clubes da Série A1 numa videoconferência na tarde desta quarta-feira para discutir o que fazer com o Paulistão, interrompido pela pandemia do coronavírus quando faltavam duas rodadas para o fim da fase de grupos – e mais quatro da fase mata-mata.

O presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, defende que o campeonato estadual “precisa terminar”, porque faltam poucas datas para sua conclusão e porque não seria necessários deslocamentos de avião. Mas o cenário é muito nebuloso.

O governo do Estado de São Paulo decretou isolamento social até o dia 22 de abril – quarta-feira da semana que vem – e é provável que o prazo seja renovado. Em entrevista ao “Fantástico” no último domingo, o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, declarou que os meses de maio e junho serão os mais críticos.

Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF — Foto: Carlos Velardi / EPTVReinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF — Foto: Carlos Velardi / EPTV

Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF — Foto: Carlos Velardi / EPTV

 

São Paulo é o estado brasileiro que reúne o maior número de infectados e mortos pelo coronavírus. Até a noite desta terça-feira, dia 14 de abril, o número era de 9.371 casos confirmados e 695 mortos.

Com a reunião, a FPF pretende incluir os clubes no planejamento para, quando for possível, retomar a competição. O GloboEsporte.com ouviu dirigentes da capital e do interior sobre a possibilidade de reinício do Campeonato Paulista, e as divergências são grandes.

A Federação Paulista recebeu uma sugestão de fazer as rodadas que faltam da fase de grupos nos dias 9 e 13 de maio; com as quatro datas de mata-mata nos dias 16, 20, 24 e 31 de maio. Para isso, seria necessária uma autorização das autoridades de saúde e a elaboração de protocolo específico.

Os clubes também pedem que representantes da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo ou do Ministério da Saúde também participem da reunião. Não houve resposta da FPF a esse pedido.

Federação Paulista de Futebol — Foto: Emilio BottaFederação Paulista de Futebol — Foto: Emilio Botta

Federação Paulista de Futebol — Foto: Emilio Botta

Globo Esporte